INSTITUCIONAL

Apresentação


A criação da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage - Funalfa, responsável pela política cultural do município, é mais um dos aspectos do pioneirismo juiz-forano. Instituída através da Lei 5.471, em 14 de setembro de 1978, passou a ser a primeira fundação municipal responsável por cultura a ser criada no Estado de Minas Gerais. Regulamentada em 14 de dezembro de 1978, efetivamente começou a atuar em 1º de janeiro de 1979.

Hoje, além de responder pela política cultural do município, a Funalfa administra espaços de grande importância: a Biblioteca Municipal Murilo Mendes, o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), o Museu Ferroviário de Juiz de Fora, o Anfiteatro João Carriço, o Centro Cultural Dnar Rocha e o Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU/Zona Norte). Também cabe à Funalfa gerenciar a Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes) e secretariar as atividades do Conselho Municipal de Cultura (Concult) e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac).

A trajetória da Funalfa incorpora ações determinantes no cenário da cultura local, como a recuperação da velha fábrica de tecidos Bernardo Mascarenhas, transformada em um moderno espaço para as artes, o CCBM. Na década de 1990, rediscutiu o seu papel como órgão gerenciador de cultura, criou a Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a Lei Murilo Mendes, importante mecanismo de apoio a projetos de artistas e produtores locais. Também nessa época, coordenou a restauração e reabertura do Cine-Theatro Central, a mais nobre casa de espetáculos da cidade, construída em 1929 e que hoje pertence à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

No final dos anos de 1990, a Fundação entregou aos juiz-foranos uma sede definitiva para a centenária Biblioteca Municipal Murilo Mendes, no complexo onde funciona o CCBM. Um prédio moderno de quatro andares interligados por rampas que oferecem acessibilidade a portadores de necessidades especiais.

Ainda no ano de 1999, a Funalfa passou a gerir o acervo do Núcleo Histórico Ferroviário. Revitalizado, esse patrimônio passou a se chamar Museu Ferroviário de Juiz de Fora. O acervo reúne 411 peças dispostas de forma didática, abordando as origens e a evolução ferroviária. O Museu também desenvolve projetos de educação patrimonial.

Além destes marcos de atuação pela cultura de Juiz de Fora, a Fundação coordenou a implantação do Conselho Municipal de Cultura, tem publicado livros de significativa relevância, desenvolve atividades destinadas a vários segmentos da sociedade e promove grandes eventos, como o Festival Nacional de Teatro, o Corredor Cultural, a Semana do Livro e da Biblioteca, o Mês da Criança, o encontro de Folia de Reis e Charolas, o Arraiá da Cidade e muitos outros, que dão visibilidade ao município e contribuem para o desenvolvimento sócio-econômico e cultural da cidade. A preservação do patrimônio cultural também é tarefa da Funalfa, que a cada ano amplia suas ações nesta área.

Outra vertente de suas iniciativas são as parcerias com a iniciativa pública e privada, que tem viabilizado importantes eventos, como o Carnaval, a Cantata de Natal, o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, o Primeiro Plano - Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades, o Festival de Música Cinves e o Festival Internacional de Coros, entre outros.





















Juiz de Fora

O pioneirismo industrial é uma marca de Juiz de Fora assim como uma forte presença na cena cultural mineira e brasileira. A partir do final do século XIX, a cidade ganha projeção como um centro de desenvolvimento econômico e como pólo artístico. Na passagem do século XX para o XXI, quando completou o sesquicentenário de emancipação política, em 2000, Juiz de Fora retoma sua vocação industrial e cultural, reafirmando o pioneirismo dos tempos da implantação da iluminação elétrica pública e da instalação da primeira usina hidrelétrica da América do Sul.

As origens da cidade remontam à abertura do Caminho Novo, estrada criada para o transporte do ouro no século XVIII. A elevação, em 1850, de Santo Antônio do Paraibuna à categoria de Vila possibilitou a expansão econômica, fomentada pela agricultura cafeeira. Em 1856, Mariano Procópio Ferreira Lage deu início à construção da Estrada União e Indústria, a primeira via de transporte macadamizada do Brasil, com 144km de Petrópolis a Juiz de Fora. A estrada, inaugurada em 1861, contribuiu para acelerar o pioneirismo da cidade. Escritores, músicos e artistas como Murilo Mendes, Pedro Nava, Rubem Fonseca, Carlos Bracher, Arlindo Daibert, Rachel Jardim, João Carriço, Geraldo Pereira, Sinval Silva, Francisco Vale, Sueli Costa, Tavinho Moura e Ana Carolina, entre muitos outros, nasceram em Juiz de Fora, que sempre recebeu os que aqui resolveram viver. Assim, Juiz de Fora acolheu expoentes da artes nas mais variadas manifestações, como Affonso Romano de Sant´Anna, Ruy Mehreb, Dnar Rocha, Mary e Eliardo França, entre outros tantos.

O Museu Mariano Procópio, o Cine-Theatro Central e o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas são espaços populares na consolidação do fazer artístico. A céu aberto, a cidade ganhou importância com o tombamento dos murais e painéis, como o Marco do Centenário de Juiz de Fora, projetado por Arthur Arcuri e trazendo o mosaico modernista e pioneiro em pastilha de vidro de Di Cavalcanti, e o painel As Quatro Estações, de Cândido Portinari. Também ao sediar festivais internacionais de música antiga e colonial brasileira e de corais, a cidade recebe músicos renomados, professores e estudantes de música de diversos países e ganha notoriedade internacional como referência da música de época.



Paço Municipal

O prédio do Paço Municipal, ou Repartições Municipaes, tombado pelo município, em 19 de janeiro de 1983, constitui, juntamente com o edifício do Antigo Fórum e com os remanescentes do Parque Halfeld, um ambiente que remonta a uma parcela do passado de Juiz de Fora, representando assim um referencial histórico marcante. Projetado pelo arquiteto Rafael Arcuri, autor de refinados trabalhos em Juiz de Fora, o imóvel está situado na esquina da Av. Barão do Rio Branco com a Rua Halfeld. O núcleo original, voltado para a Av. Barão do Rio Branco, foi construído em 1918. A primeira ampliação ocorreu em 1934 na fachada lateral, mantendo-se as mesmas características arquitetônicas do existente, e que resultou na configuração atual do prédio. A última ampliação deu-se em 1944, na área interna.

O edifício de dois pavimentos segue o estilo eclético com reminiscências neoclássicas e apresenta exuberante ornamentação, além de movimentado jogo de elementos salientes e reentrantes nas fachadas. Recursos de composição horizontal e vertical foram amplamente utilizados, objetivando o perfeito equilíbrio e harmonia das proporções, assim como nas Ordens Arquitetônicas.

No sentido horizontal, as fachadas são tratadas segundo normas que, em linhas gerais, correspondem à divisão das colunas gregas: no térreo, o prédio é alteado, com revestimento fortemente marcado por bossagem (sulcos feitos na massa sugerindo pedra de cantaria) para transmitir a idéia de solidez e segurança. O primeiro pavimento possui tratamento rebuscado, classicizante e fantasioso, com elementos que ressaltam o volume - pilastras, colunas, balaústres, balcões, templete do chanfro, etc.. E finalmente, o coroamento é feito pelo entablamento clássico - arquitrave, friso e cornija - e pela platibanda que envolve toda a construção, ocultando o telhado.

Apresenta planta chanfrada, solução típica de implantação presente nas construções da cidade, com a valorização da fachada localizada no encontro de dois logradouros.

O tratamento dispensado ao chanfro confere monumentalidade ao conjunto. Ali, situa-se a entrada principal do edifício, com porta de madeira trabalhada em duas folhas e bandeira em arco pleno emoldurada. A porta é ladeada por colunetas dóricas sobre pedestal e protegida pelo balcão circular em balanço apoiado em mísulas enormes que acompanham seu formato. Essas terminam em volutas estilizadas e recebem decoração livre lateralmente e em toda a face inferior, com folhas de acanto em cascata.

O acesso ao balcão, na verdade um templete, acontece por uma porta de madeira e vidro com bandeira fixa, tal qual a das janelas. Está ladeada por pilastras com capitéis jônicos e possui sobreverga acimalhada, com um frontão triangular.

O templete é protegido por guarda-corpo em balaustrada e segmentado por pilaretes que apóiam colunas jônicas que sustentam o entablamento, a platibanda em balaustrada e o torreão ricamente decorado e coroado por cúpula ogival. Destaca-se, aqui, o relógio embutido, encimado por frontão interrompido com volutas e ornatos de estuque.

As fachadas são constituídas por dois tipos diferentes de tramos, um central, valorizado pelo formato em arco pleno da verga do 2º pavimento e da platibanda e das janelas tripartidas e dois outros laterais com janelas de vergas retas. A fachada para a Av. Barão do Rio Branco é constituída por três tramos e para a Rua Halfeld são cinco tramos.

O vão do térreo do módulo central, ladeado por colunas dóricas, é vedado por janelas de peitoril tripartida, de madeira e vidro, dispondo de báscula de mezanino onde os caixilhos formam uma estrela de 5 pontas. No 1º pavimento, o balcão protegido por balaustrada guarnece janela rasgada tripartida de madeira. Os caixilhos são preenchidos por vidros com delicados desenhos que se estendem até as bandeiras. A verga é segmentada e acimalhada, estando as reentrâncias alinhadas às janelas menores de forma a ressaltar, na parte central, a inscrição ANNO - MCMXVII. O entablamento é segmentado, percorrendo toda a fachada e o seu tratamento acompanha o dos módulos, isto é, ele é ressaltado e arqueado sobre a verga em arco pleno e retilíneo nos painéis laterais. Nota-se a arquitrave perfilada e o friso liso, recebendo decoração no módulo central de cártula em forma de pergaminho desenrolado, com a inscrição REPARTIÇÕES MUNICIPAES. A cornija é saliente e perfilada, apoiada em uma seqüência ritmada de delicados modilhões.

Nos módulos laterais, existem dois vãos, delimitados por colunas com capitéis dóricos, onde as janelas de peitoril de madeira, altas e grandes do térreo, são coroadas por báscula de mezanino com caixilho circular. No primeiro pavimento, os balcões com balaustrada entalada apoia as colunas com capitéis jônicos que marcam os vãos das janelas. Estas são de madeira e vidro com bandeira e verga reta perfilada. Na sobreverga há pequenos pilaretes decorados ligados por guirlandas.

A fachada é coroada por platibanda, ora em balaustrada ora cega, que se prolonga por toda a edificação, apresentando as seguintes características:

a balaustrada é seccionada por robustos pilaretes - decorados com emblema ornamentado por guirlandas que se ligam a grandes volutas - que mostram aos olhares mais atentos forte movimento de vetores ascendentes que rompem a frontalidade da face do pilarete. Cada pilarete recebe uma cartela com monograma RM;

a platibanda cega, (retilínea, curva e retilínea) é decorada por quadros de estuque e friso superior ressaltado. Na ornamentação, o arquiteto utilizou formas que acompanham o desenho resultante do movimento da platibanda. Dessa forma, temos no centro um círculo emoldurado, com escultura em alto relevo e com a inscrição PÁTRIA ET CIVITAS. Na parte superior da moldura do círculo, está estampada a inscrição MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA e, na parte inferior, a data da emancipação do município, 31 de MAIO de 1850.



Alfredo Ferreira Lage

Filho de Mariano Procópio Ferreira Lage, o advogado culto e educado, Alfredo Ferreira Lage, foi o responsável pela doação do museu, que leva o nome de seu pai, à municipalidade. Nascido em Juiz de Fora em 1865, permaneceu na cidade até os sete anos, quando o pai faleceu. Seguiu então para a Europa, acompanhado da mãe. Voltaria ao Brasil anos mais tarde para cursar a Faculdade de Direito de São Paulo. Casou-se com a pintora espanhola, Maria Pardos, após a morte de sua mãe e viveu no Rio de Janeiro. Empregava dinheiro na aquisição de preciosidades minerais, freqüentava leilões no Brasil e no exterior, nos quais adquiria telas, jóias, indumentária, móveis, objetos que formaram o embrião do Museu. Recebia doações de muitas personalidades, que incluíam objetos de uso pessoal e peças valiosas do período colonial brasileiro. Aliado a isso, Alfredo cultivava grande paixão pela fotografia, conquistando prêmios em exposições internacionais.

A Villa Lage, residência dele e da mulher em Juiz de Fora, abrigava já precioso acervo. Foi preciso ampliar o espaço disponível para acolher as peças do dono e colecionador. Alfredo tornou-se um dos mecenas de Juiz de Fora. Seu completo laboratório fotográfico foi transferido também para a Villa. Foi presidente do Photo Club do Rio de Janeiro. Jornalista, foi incorporador da Empresa d'O Pharol. Doou à cidade, em 1936, o Museu Mariano Procópio, sob a supervisão da Sociedade Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio. Morreu em 1944. No ano de 1978, a municipalidade criou a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa).

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