

O Centro de Preservação da Memória Negra de Juiz de Fora e Região (CenPre) sediou, nesta semana, um workshop ministrado pela fotógrafa e ativista visual sul-africana Zanele Muholi. A oficina, realizada ao longo de dois dias, integrou o projeto *Fotografia e Fabulação*, desenvolvido pelo Beyra — projeto e festival de fotografia e fotolivros idealizado por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — e pelo Instituto Audiovisual Mulheres de Odun (iAMO), em parceria com o Muholi Art Institute, sediado na Cidade do Cabo, na África do Sul.
Reconhecida internacionalmente, Zanele Muholi nasceu em Durban, em 19 de julho de 1972, e desenvolve um trabalho voltado à construção de arquivos visuais sobre comunidades negras LGBTQIAPN+ da África do Sul e da diáspora africana. Sua produção artística reúne fotografia, autorrepresentação, memória e política da imagem, promovendo reflexões sobre invisibilidades históricas e novas possibilidades de existência.
Pessoa não binária, Muholi tem como uma de suas principais propostas a valorização das narrativas visuais de pessoas negras, queer e trans na África do Sul, contribuindo para ampliar a visibilidade dessas comunidades e questionar estruturas históricas de discriminação e racismo.
Suas obras já foram apresentadas em importantes instituições culturais internacionais, como a Tate Modern, em Londres, e o Centro Pompidou, em Paris, além de espaços brasileiros, como o Instituto Moreira Salles (IMS). Entre seus trabalhos de maior destaque estão *Faces and Phases*, série iniciada em 2006 que documenta pessoas lésbicas, bissexuais, trans e não binárias, e *Somnyama Ngonyama*, conjunto de autorretratos que aborda temas como racismo, eurocentrismo e relações de trabalho.
Muholi define sua prática artística como colaborativa, referindo-se às pessoas fotografadas como “participantes”. Essa abordagem valoriza a construção conjunta das imagens, permitindo que cada pessoa contribua para a definição de poses e formas de representação. A artista também incentiva a participação dessas pessoas em debates, eventos e exposições, ampliando a presença de suas vozes nos espaços culturais.
Com apoio da Prefeitura de Juiz de Fora, o workshop apresentou fundamentos da fotografia como ferramenta de narrativa, observação e autoexpressão. A atividade teve como objetivo capacitar os participantes a documentarem suas próprias vivências, identidades e territórios por meio da imagem.
Após a passagem por Juiz de Fora, Zanele Muholi segue para Salvador (BA), onde realizará a mesma oficina nos dias 5 e 6 de junho.