Relatório datado de 1888 conta processo de transporte do meteorito de Bendegó até o Museu Nacional
Dentre as curiosidades e itens do acervo relacionados à família imperial brasileira, a Fundação Museu Mariano Procópio mantém um relatório que conta todo o processo de transporte de uma das peças mais conhecidas do Museu Nacional, o meteorito de “Bendegó”. Escrito em francês e português, o documento, produzido em 1888, é considerado raro, já que possui fotografias originais coladas em suas páginas. O meteorito, até hoje, é o maior fragmento desse tipo encontrado no Brasil.
Segundo historiadores, o resgate do meteorito para estudos e exposição no museu criado pela família imperial dava-se pelo interesse da época pelas artes e ciências. Embora a descoberta tenha sido feita anos antes, em 1784, e tenha havido tentativas de remoção da pedra do local, uma delas sob a ordem do então governador geral da Bahia, D. Rodrigo José de Menezes, nenhuma teve sucesso, até a criação, em 1887, de uma comissão especial para trazer o meteorito para o Rio de Janeiro, a pedido de Dom Pedro II. O monarca tomou conhecimento do meteorito pela Academia de Ciências de Paris, durante uma visita à França em 1886, contudo, a notícia já teria atravessado o oceano desde 1810, gerando interesse de cientistas, que vieram ao país para constatar se realmente seria um meteorito.
Sob liderança de José Carlos de Carvalho, os engenheiros civis Vicente José de Carvalho e Humberto Saraiva Antunes realizaram estudo que compreendia a geografia local no interior da Bahia, assim como o clima e vegetação, além de formas técnicas para remoção e transporte da pedra. Foram criadas novas vias e transporte adequado que suportasse a carga de mais de cinco toneladas. O meteorito foi recebido no Rio de Janeiro no dia 15 de junho de 1888, pela Princesa Isabel, e estava em exposição. Devido a sua composição e resistência a grandes temperaturas, foi um dos poucos itens a resistir ao incêndio ocorrido em setembro deste ano no Museu Nacional.
Foto: Vinícius Ribeiro
* Informações com a assessoria de comunicação do Museu Mariano Procópio: 3690 2004.