

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, assinou, na noite desta sexta-feira, 27, o contrato com a empresa responsável pela execução das obras de macrodrenagem no Bairro Industrial. O investimento do Governo Federal no município será de R$ 95 milhões, com o objetivo de solucionar problemas históricos de alagamento na região, que persistem há mais de 50 anos.
“Esse contrato assinado nesta semana, em que o bairro passou dias debaixo d’água, é ainda mais tempestivo, oportuno e necessário. Conheço o sofrimento do Bairro Industrial há muitos anos, desde quando fui secretária de Administração, passando pelo período como deputada e agora como prefeita. É uma obra muito ambiciosa do ponto de vista tecnológico, mas, acima de tudo, é uma intervenção que garante que os moradores possam permanecer em suas casas com segurança. É uma questão de cidadania e de orgulho”, destacou a prefeita.
Durante a solenidade, Margarida Salomão relembrou o apoio da Câmara Municipal à proposta inicial de viabilizar as intervenções por meio de empréstimo autorizado pelo Legislativo. Posteriormente, a necessidade de financiamento municipal foi superada com a inclusão do projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), assegurando os recursos federais. “As cidades são construções históricas. As pessoas têm seus parentes, amigos e vizinhos. É a vida delas. Temos a obrigação, como governantes, de defender esse direito e tornar viáveis as vizinhanças. Esse é o novo conceito de sustentabilidade: social e ambiental”, afirmou.
A assinatura do contrato integra um conjunto de medidas adotadas antes mesmo da recente tragédia provocada pelas chuvas, tornando-se ainda mais relevante no contexto atual. O processo incluiu aprovação legislativa para eventual contratação de empréstimo, posterior inclusão no PAC, reuniões e audiências públicas com moradores, licitação, aprovação dos projetos e definição da empresa responsável pelas obras de macrodrenagem, a ETC Tecnologia em Construções. O prazo estimado para execução é de até 27 meses.
A secretária de Desenvolvimento com Participação Popular, Cidinha Louzada, ressaltou o impacto social da intervenção. “É uma obra que vai restaurar a dignidade das pessoas que moram ali. Muitas vezes ouvimos que seria mais barato retirar as famílias do local, mas a decisão política é reconhecer o direito de permanecerem em seu território, com pertencimento. Já realizamos uma primeira etapa importante e, agora, avançamos na obra que a comunidade aguarda há 50 anos.”
O secretário de Governo, Ronaldo Pinto Júnior, esteve em Brasília nesta quinta-feira, 26, para tratar da celeridade dos trâmites junto ao Governo Federal. “Estive na Casa Civil e o Governo informou que irá acelerar a autorização para o início das obras nos próximos dias. A expectativa é que, na próxima semana, seja emitida a ordem de serviço para elaboração do Projeto Executivo e, considerando a flexibilidade decorrente dos decretos de calamidade, possamos já iniciar as primeiras intervenções de reparo para apoiar a comunidade.”
O presidente da Câmara Municipal, José Marcio "Garotinho", destacou a importância da intervenção para solucionar esse problema histórico.“É uma semana muito dolorida para a cidade de Juiz de Fora. Quero salientar a sua coragem, prefeita, a sua firmeza. Quando você, prefeita, se propôs a solucionar essa solução, desse problema, que é de décadas, você foi corajosa. Com a mesma coragem e firmeza que você está enfrentando esse cenário de guerra que a gente está vivendo. Então, para encerrar a semana, é muito importante essa assinatura, esse ato.
As obras
As obras serão executadas em três frentes principais. A primeira contempla a canalização e recanalização do córrego no trecho entre a linha férrea e o Acesso Norte, com construção de estrutura semelhante ao muro do Rio Paraibuna. Está previsto o alteamento das margens para evitar o transbordamento e o retorno da água para as residências.
A segunda etapa envolve a reformulação completa da rede de microdrenagem e a separação do sistema de esgoto, prevenindo o refluxo pelas bocas de lobo. A água será direcionada a um reservatório de amortecimento, onde permanecerá armazenada até que o nível do Paraibuna permita seu bombeamento. Nesse local será construído um parque linear que beneficiará a comunidade e toda a cidade.
A terceira fase prevê requalificação urbanística do bairro, considerando os impactos das intervenções. Estão previstas repavimentação integral das vias, reconstrução das calçadas, implantação de jardins de chuva e calçadas drenantes, soluções baseadas na natureza que ampliam a resiliência urbana e reduzem riscos em eventos extremos.
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