

"Por um sistema Municipal, Estadual e Nacional de Direitos Humanos: consolidar a democracia, resistir aos retrocessos e avançar na garantia de direitos para todas as pessoas". Este foi o tema da 1ª Conferência Municipal dos Direitos Humanos que contou em sua abertura na última sexta, 23, com a palestra do Presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais, Durval Ângelo.
A iniciativa inédita organizada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Prefeitura de Juiz de Fora abriu o processo de mobilização para a Conferência Nacional, prevista para dezembro, e buscou consolidar políticas públicas de direitos humanos com ampla participação social. Representatividade, diversidade e resistência marcaram o encontro que reuniu mais de 300 pessoas, delegadas eleitas e observadoras durante o último mês em reuniões com representantes da SEDH.
De acordo com o secretário especial de Direitos Humanos, Biel Rocha, nos encontros com a participação da equipe da secretaria para mobilizar e reunir diversidade de grupos, foram mais de 3 mil vozes ouvidas nos diversos cantos da cidade. "Hoje é um dia histórico. Um dia em que Juiz de Fora respira esperança, ergue a voz e reafirma com coragem, seu compromisso inegociável com os direitos humanos. Estamos aqui não só para falar, mas agir. Não só para sonhar, mas para construir. E acima de tudo, resistir".
As discussões nos grupos temáticos ocorreram durante todo sábado, 24, com a eleição de 30 pessoas delegadas (20 da sociedade civil e 10 governamentais) que irão representar o município na Conferência Estadual prevista para 26 e 27 de setembro. As propostas englobam pautas diversificadas, algumas delas envolvem ações em prol da população em situação de rua, da igualdade racial, formação em direitos humanos, continuidade dos serviços em espaços que trabalham com esta temática, população carcerária e inclusão de uma forma geral.
Para a assistente social, Ana Paula de Souza, foram dois dias de muita reflexão e aprendizado essenciais para construção da democracia e defesa dos direitos humanos. "Parabenizo a equipe da SEDH pelo cuidado e organização, especialmente pela dinâmica de escolha dos delegados que permitiu aos coletivos, movimentos sociais, comitês e demais organizações o diálogo sobre a conferência de forma prévia. Fiquei muito emocionada quando vi nos grupos a qualidade dos debates e a diversidade de delegados".
Já o representante do movimento indigena, Iran da Silva Apon Puri, destacou que o evento foi histórico, cheio de luta e resistência daqueles que são esquecidos e colocados à margem. "Representar o meu Povo Puri e os demais povos indígenas de Juiz de Fora é gratificante. Sigamos na luta por reconhecimento da nossa luta ancestral e nativa".