

No “Dia Internacional para o Direito à Verdade para as Vítimas de Violações dos Direitos Humanos”, celebrado em 24 de março, foi instalado o painel “Se queres mudar o mundo, mude a ti mesmo” do artista Matheus Rodrigues Coutinho, no Centro de Conservação da Memória (CECOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (antigo Diretório Central dos Estudantes - DCE).
A iniciativa integra o projeto “Trilhas da Liberdade – Murais cerâmicos celebram a democracia nos 61 anos do golpe militar” que fixa paineis artísticos em locais e prédios históricos da cidade. Trata-se de uma parceria entre a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Fadepe), por meio de emenda parlamentar da vereadora Laiz Perrut com o apoio na organização do "Grupo de Trabalho - 61 Anos do Golpe" integrado pela UFJF, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)/JF, Comissão Municipal da Verdade, Família Riani, além da PJF.
A solenidade contou com a presença de professores, estudantes e ex-presidentes do DCE do período da Ditadura que foram homenageados. No espaço interno, as pessoas puderam conferir a exposição organizada pelo CECOM, “Vozes em Tempos de Silêncio: cenas do movimento estudantil da UFJF durante a ditadura civil-militar”.
A prefeita Margarida Salomão destacou que a luta mais importante no mundo é pela democracia. “Não há avanço nas sociedades humanas em períodos não democráticos. Hoje, fazer política é um imenso desafio, porque não se trata apenas de propor, sustentar e executar políticas públicas. Você tem que lutar para que isso possa acontecer. Com essa recuperação da memória, esse encontro tem o mérito de fazer falar, aumentar as luzes e de nos reunir como democratas. Em nome da democracia, pela liberdade humana, pela memória dos que já se foram, pela vida dos que ainda estão aqui, pela vida dos que virão, nós estamos fazendo essa homenagem, essa recuperação e este reconhecimento”.
O secretário especial de Direitos Humanos, Biel Rocha, foi quem conduziu a cerimônia e destacou o significado do evento. "Não celebramos apenas a arte, mas a coragem, a resistência e, acima de tudo, a democracia. Hoje, nos reunimos, neste espaço que carrega em seu solo a história e a luta de muitas e muitos. A instalação do mural cerâmico é muito mais do que um ato artístico. É um grito silencioso, mas poderoso, que ecoa a coragem dos estudantes, professores e servidores e de todos os cidadãos que desafiaram a opressão durante um dos períodos mais sombrios da nossa história".
Denise Barbosa, irmã de Ivan Barbosa, falecido em 2015, e ex-presidente do DCE, recebeu da professora Sandra Sato, uma das responsáveis pelas confecções dos paineis, uma réplica do mural instalado no espaço e emocionada agradeceu a homenagem citando falas de amigos do irmão sobre sua trajetória.
O diretor do Centro de Conservação da Memória (Cecom/UFJF) Marcos Olender, enfatizou que a solenidade foi um momento de acertarmos as contas com o passado. “A memória é aquele passado que nos acompanha. A lembrança desse espaço ficou mais viva do que nunca”.
A coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Giulia Natália Rodrigues Bento, lembrou da importância do prédio. “Esse espaço tem história de enfrentamento, de mobilização, da esperança do movimento estudantil. Aqui, os estudantes se organizaram e não resistiram à luta pela democracia. A arte instalada é mais que um painel decorativo, é um grito de resistência, uma homenagem a todos que foram tombados pela ditadura”.
Em nome dos ex-presidentes do DCE, Jubel Barreto, agradeceu a oportunidade por representar pessoas com presença tão marcante na vida da universidade, da cidade e da política. “Resgatar a memória faz com que a verdade seja revelada”, destacou.
A vereadora Laiz Perrut destacou que vem trabalhado por homenagens justas na Câmara Municipal, “Tenho falado muito isso no meu mandato, para que paremos de homenagear pessoas que destruíram o nosso país. É necessário lembrar de fato os verdadeiros herois e heroínas da nossa cidade, assim como hoje, estamos homenageando as pessoas que fizeram parte do movimento estudantil”.
O vice-reitor da UFJF, Telmo Ronzani, ressaltou a história de defesa da democracia construída pela instituição. “Em espaços e momentos como esse é despertada a consciência da necessidade de lutarmos sempre pela democracia”.
Com o descerramento do painel, o público pode continuar lembrando histórias do período em um reencontro musical com a apresentação do grupo A Pá, um dos vários grupos do SOM ABERTO, evento musical de resistência política.
Saiba mais sobre o projeto e veja onde estão os paineis já instalados:
https://www.pjf.mg.gov.br/secretarias/sedh/trilhas-da-liberdade/index.php