

A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (SEDUPP) em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), inicia as Oficinas de Desenho de Espaços Públicos que integra o projeto Tecendo a Cidade – Planejando com Viés Participativo. Crianças da rede municipal de ensino de Juiz de Fora vão participar, a partir de setembro, de oficinas para propor sugestões para o planejamento de espaços públicos da cidade.
A partir das oficinas, as contribuições das crianças servirão de base para recomendações técnicas que vão embasar futuras intervenções urbanas, com o objetivo de tornar esses espaços mais seguros, acessíveis e adequados às suas próprias necessidades e de seus cuidadores. Participam do projeto as escolas municipais Georg Rodenbach, no bairro Grama; Áurea Bicalho, no Linhares; e Antônio Carlos Fagundes, no Francisco Bernardino. Ao todo, a expectativa é reunir cerca de 60 crianças de 7 a 12 anos.
Durante os encontros, as crianças vão participar de atividades como desenhos, construção de maquetes, mapas afetivos e jogos, permitindo que elas representem as diferentes maneiras como vivenciam os bairros onde moram, os espaços que utilizam com mais frequência, os desafios que encontram no dia a dia e o que gostariam de melhorar. Ao final do processo, as ideias e sugestões apresentadas pelas crianças serão reunidas e analisadas pelas equipes da SEDUPP e do ONU-Habitat. Esse material servirá de base para a elaboração de propostas voltadas à melhoria dos espaços públicos dos bairros participantes, levando em consideração a experiência de quem vive e utiliza esses locais diariamente.
“Quando a gente escuta os pais e as mães, eles dizem que querem creche, escola, educação de qualidade e, claro, tudo isso é prioridade. Mas nós também precisamos aprender a ouvir as próprias crianças. O que elas querem? Como elas enxergam o lugar onde vivem? Que cidade elas imaginam para elas? Não podemos pensar a cidade para as crianças sem ouvir o que elas têm a dizer. Por isso, criar um espaço onde elas possam falar, desenhar, imaginar e expressar seus desejos é tão importante. A experiência que o ONU-Habitat traz nos ajuda justamente nisso: a construir uma cidade que não seja pensada apenas pelo olhar dos adultos, mas que também incorpore o olhar, a experiência e a voz das crianças”, explica Cidinha Louzada, secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular de Juiz de Fora.
A metodologia utilizada em Juiz de Fora já foi aplicada pelo ONU-Habitat em outras cidades do Brasil e da América do Sul. Em Foz do Iguaçu e Barracão (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Bernardo de Irigoyen (Argentina), estudantes participaram de oficinas que resultaram em projetos arquitetônicos para praças próximas às escolas. Em São Gonçalo (RJ), as contribuições de cerca de 30 crianças da comunidade da Ipuca subsidiaram propostas para projetos de melhorias urbanas no bairro, desenvolvidos no âmbito do Programa Periferia Viva, do Ministério das Cidades. Além disso, jovens de 10 cidades em Pernambuco contribuíram para espaços públicos mais inclusivos como forma de prevenir a violência urbana.
“Cada cidade onde essa metodologia foi aplicada contribuiu para seu aprimoramento. Agora, em Juiz de Fora, teremos a oportunidade de incorporar novos aprendizados a essa experiência e sistematizar esse processo em um caderno metodológico para apoiar sua replicação em outros territórios. Esse é um dos grandes valores da cooperação: transformar experiências locais em conhecimento que possa ser adaptado e aplicado em diferentes contextos”, afirma Natália Oliveira, coordenadora de programas do ONU-Habitat.
Datas das oficinas