

A Secretaria Especial da Igualdade Racial (Seir) e o Núcleo Permanente de Relações Étnico-Raciais (Nuprer), vinculado à Secretaria de Educação, estão elaborando um protocolo de ações antirracistas para as práticas esportivas do município. A iniciativa também conta com a parceria da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do Grupo de Estudos Afropedagógicos (GEAPS/Sankofa).
A proposta, que será lançada em breve, integra as ações do Grupo de Estudos “Esportes e Questões Étnico-Raciais”, criado pelas instituições parceiras ao final do curso. O grupo reúne profissionais da Educação e da Educação Física, estudantes, pesquisadores, gestores públicos, atletas, treinadores, integrantes dos movimentos negros e sociais, além de outras pessoas interessadas no tema.
A partir da construção coletiva de conhecimentos e estratégias, o grupo busca contribuir para o enfrentamento do racismo e para a promoção da equidade racial nos diferentes contextos esportivos.
Para a elaboração do protocolo, serão consideradas como referência as diretrizes do Protocolo Universal da Federação Internacional de Futebol (FIFA) - 2024/2025 e a Lei Estadual Vini Jr. (Rio de Janeiro - PL 267/2023), pioneira no país, além de protocolos de interrupção de partidas contidos em leis estaduais e municipais, como os estados do Rio Grande do Sul (2023) e o Pará (2026), além do município de Curitiba (2023). O documento terá abrangência municipal e contemplará as diferentes modalidades esportivas praticadas em Juiz de Fora.
Casos recentes reforçam urgência da medida
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante de episódios recentes de racismo registrados no esporte na cidade. No último sábado, 22, durante uma partida da categoria sub-15 da Copa Prefeitura Bahamas de Futebol de Juiz de Fora, realizada no campo do Cerâmica, um adolescente que estava atrás de um dos gols, fora dos limites do campo, teria proferido um grito racista ao goleiro de uma das equipes. Após o relato do atleta, a partida foi interrompida e teve início a apuração dos fatos.
O episódio remete a outro caso ocorrido em 4 de outubro de 2025, durante uma partida entre JF Vôlei e Montes Claros Vôlei, pelo Campeonato Mineiro de Vôlei Masculino. Na ocasião, o técnico da equipe de Montes Claros, Walner Rodrigues dos Santos, foi vítima de injúria racial no Ginásio Municipal Jornalista Antônio Marcos, em Juiz de Fora.
Casos de racismo e injúria racial no esporte são registrados com frequência em diferentes partes do Brasil e do mundo, atingindo tanto atletas de alto rendimento quanto pessoas que praticam atividades esportivas por lazer ou formação.
Nesse contexto, a construção do protocolo representa uma ação conjunta do poder público e das instituições parceiras para estabelecer orientações e procedimentos de prevenção e intervenção diante de situações de racismo no esporte, fortalecendo a promoção da igualdade racial e de ambientes esportivos mais seguros e inclusivos.