

A Galeria Nívea Bracher, no Mercado Cultural AICE, receberá, a partir da próxima terça-feira, 18, a exposição “Traço e memória”, do artista Eliardo França. A abertura será realizada às 19h e a mostra poderá ser visitada até 13 de setembro, com entrada gratuita.
Com curadoria de André Colombo e Ione Ribeiro, a exposição reúne trabalhos que evidenciam a relação de Eliardo França com a literatura, a história e o desenho, explorando a memória e a cultura a partir de uma linguagem marcada pelo nanquim e pela expressividade do traço.
A série “Traço e memória” investiga as relações entre cultura literária, história e desenho. Nos trabalhos, o artista utiliza o branco do papel como espaço de luz, enquanto a linha constrói arquiteturas, animais e figuras humanas em movimentos fluidos, recriando, de maneira lúdica, narrativas históricas, literárias e artísticas.
Segundo o curador André Colombo, os desenhos de Eliardo ultrapassam o campo da ilustração e constroem uma visualidade própria. “O branco do papel como campo de luz” torna-se elemento fundamental de uma obra em que a linha organiza o mundo e confere novos sentidos aos ritos e gestos do cotidiano.
A exposição também promove encontros imaginários entre diferentes tempos, lugares, artistas e personagens. Machado de Assis e Capitu, Guimarães Rosa e Miguilim, Fernando Pessoa e Camões, Velázquez e Picasso podem coexistir nesse território artístico, em que passado e presente, ficção e realidade se encontram.
A relação entre Minas Gerais e Paris também ocupa lugar central na série. Ao aproximar trens, montanhas e igrejas mineiras de paisagens parisienses, Eliardo estabelece uma conexão entre o lirismo mineiro e a modernidade europeia. Para Colombo, nessa nova fase da trajetória do artista, “o desenho se afirma como pensamento”, transformando a memória em experiência presente.
“Traço e memória” propõe, assim, uma reflexão sobre a própria circulação da memória e sobre as possibilidades de encontro entre diferentes referências culturais. A exposição apresenta o desenho como território de invenção, onde o tempo pode ser revisitado, habitado e ressignificado.
A Galeria Nívea Bracher e o Mercado Cultural AICE estão localizados no segundo piso do Mercado Municipal de Juiz de Fora.