

Por meio de um olhar sincrético e sensível, a exposição “Salve Cosme e Damião!” visa despertar a lembrança em torno da distribuição dos tradicionais saquinhos de doces, ao mesmo tempo em que valoriza aqueles que mantêm viva essa tradição em Juiz de Fora. A abertura acontece nesta quinta-feira, 13, às 19h, na Galeria Narcisse Szymanowski, localizada no interior do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).
As visitas acontecem, gratuitamente, entre os dias 14 de agosto e 8 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. A classificação é livre e a mostra também disponibiliza os conteúdos textuais em Braille. Idealizada pelos artistas Mariâna Andrade, por meio da Caramuru Produtora Artística e Cultural, a exposição busca contribuir para a preservação das memórias e celebrações populares.
Para a confecção das obras, a dupla escolheu homenagear seis pessoas: Adriana Costa, Adriana Petara Ryal, Daniel Silva, Jorge de Paula, Renata da Silva e Simone Florentino. Suas faces serão representadas em tecidos de 290 x 145 cm, tomando como base a mesma estética utilizada em diferentes saquinhos de doces. Além dessas obras, os criadores apresentam esculturas dos santos gêmeos cercadas pelos doces popularmente conhecidos, confeccionadas por meio de técnicas mistas que compreendem desde a modelagem escultórica e a moldagem de elementos em silicone até a moulage têxtil, a colagem e a pintura artística em acrílica.
Atualmente, a quantidade de mantenedores dessa tradição é cada vez menor e, assim, o festejo enfrenta o risco de desaparecer. Dessa forma, o projeto também conta com um documentário que destaca a história dos retratados na exposição e será lançado no dia 27 de setembro, data em que acontece a festa de Cosme e Damião em todo o país.
O projeto conta com o patrocínio da Prefeitura de Juiz de Fora, por meio do edital Quilombagens 2024/2025, que integra o Programa Cultural Murilo Mendes, administrado pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa).
Duas figuras, muitas histórias
Segundo a tradição cristã católica, os gêmeos eram médicos que cuidavam dos enfermos mais pobres na Arábia e, por sua caridade, foram acusados de feitiçaria e condenados à morte.
Em algumas nações do Candomblé, o sincretismo religioso relaciona os santos aos Ibejis, orixás gêmeos da mitologia iorubá, que protegem as crianças e simbolizam a alegria e o início de todas as coisas.
Já na Umbanda, Cosme e Damião são relacionados aos Erês, entidades infantis que remetem ao estado de pureza e atuam como intermediários espirituais.