

O Centro de Preservação da Memória Negra de Juiz de Fora e Região (CenPre) completa um ano de funcionamento na próxima terça-feira, 30. Para marcar a data, a Secretaria Especial da Igualdade Racial (Seir), responsável pela gestão do espaço, promoverá uma aula pública, às 10h, com o professor e Dr. Francione Oliveira Carvalho. A atividade é gratuita, aberta ao público e não exige inscrição prévia.
Com o tema "Territórios negros, patrimônio cultural e artístico na formação de professores", a aula será desenvolvida a partir de um percurso pelas dependências do CenPre, tendo como referência obras da exposição "Àwa – Presenças na Diáspora".
Professor das licenciaturas em Artes Visuais e Pedagogia e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFJF, além de atuar no Programa de Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades da USP, Francione explica que a proposta é refletir sobre como os territórios negros se constituem na cidade por meio de diferentes espaços e organizações, como escolas, museus, patrimônios artístico-culturais, movimentos negros, coletivos artísticos e religiões de matriz africana.
"A partir das obras expostas no CenPre, a aula pretende destacar positivamente espaços e memórias construídos pela população afrodescendente na Zona da Mata Mineira, contribuindo para novas formas de relação com a cidade, seu patrimônio cultural e, especialmente, para a reeducação das relações étnico-raciais e a formação de professores", afirma o pesquisador.
Um espaço de memória e transformação
Criado pela Prefeitura de Juiz de Fora atendendo a uma antiga reivindicação dos movimentos negros da cidade, o CenPre segue os princípios da Museologia Social e foi concebido como um espaço de preservação da memória, valorização dos patrimônios culturais negros e promoção do diálogo entre história, cultura e sociedade.
De acordo com a secretária especial da Igualdade Racial, Giane Elisa Sales de Almeida, o Centro representa um importante instrumento de reparação histórica. "O CenPre nasceu para reconhecer e valorizar a contribuição da população negra na formação de Juiz de Fora e da região, tornando visíveis histórias que, durante muito tempo, permaneceram silenciadas", destaca.
Instalado no Paço Municipal, um dos principais patrimônios arquitetônicos e históricos da cidade, o Centro já recebeu cerca de 15 mil visitantes em seu primeiro ano de funcionamento.
Exposições e programação permanente
Desde a inauguração, o CenPre sediou duas exposições. A primeira, "Estesia", permaneceu em cartaz até outubro de 2025 e propôs reflexões sobre os impactos do racismo estrutural, as heranças da escravidão e a presença histórica da população negra em Juiz de Fora.
Atualmente, o espaço abriga "Àwa – Presenças na Diáspora", mostra coletiva que reúne 27 artistas negros e negras da cidade. Inspirada na palavra iorubá Àwa ("nós"), a exposição aborda experiências de resistência, ancestralidade e produção artística contemporânea.
Além das exposições, o CenPre desenvolve uma programação contínua de atividades culturais, formativas e acadêmicas. Entre elas estão o Novembro Negro, o ciclo Epistenegrologias Insurgentes, voltado à apresentação de pesquisas produzidas por pesquisadores negros, o grupo de estudos Sankofa, dedicado à saúde da população negra, e as visitas mediadas destinadas a escolas e outros grupos.
A expectativa da Seir é ampliar a programação ao longo do segundo ano de funcionamento, com a realização de uma nova exposição e o fortalecimento de parcerias que consolidem o CenPre como um espaço de produção, preservação e difusão de conhecimentos sobre a cultura negra brasileira.