

Um grupo de mulheres desalojadas em decorrência do desastre climático que atingiu o município em fevereiro e atualmente hospedadas em um hotel na região central participou, nesta sexta-feira, 10, da roda de conversa “E eu, mulher?”, que abordou temas como violência doméstica e os direitos de meninas e mulheres.
O encontro foi promovido pela Secretaria Especial das Mulheres da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), em conjunto com a Secretaria de Assistência Social (SAS), a equipe do FORSUAS, do Governo Federal, a Comissão de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da OAB/JF, representada pela presidente Ticiane Didres, o Grupo Mulheres do Brasil – núcleo Juiz de Fora, e o Coletivo Vozes da Rua. Durante o momento de escuta, muitas participantes relataram ser provedoras de suas famílias e afirmaram já ter vivenciado algum tipo de violência doméstica.
A iniciativa marca o início de uma série de ações programadas para o mês de abril, estruturadas com foco no acolhimento, na orientação, no cuidado e no fortalecimento desse público, considerando suas especificidades e as vulnerabilidades agravadas pelo contexto de calamidade. A proposta integra um plano emergencial elaborado pela Secretaria Especial das Mulheres, com o objetivo de assegurar respostas intersetoriais diante do cenário de deslocamento populacional e intensificação das desigualdades sociais.
Segundo a coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres da PJF, Ana Carolina Sales, “a proposta fundamenta-se no cenário de calamidade vivenciado, que produziu significativo deslocamento populacional e agravamento das vulnerabilidades sociais. Dados de organismos internacionais, como a ONU, indicam que aproximadamente 70% das pessoas afetadas em contextos de desastres são mulheres e meninas, o que evidencia a necessidade de políticas públicas específicas com recorte de gênero. Soma-se a isso a incidência de marcadores sociais como raça e classe, sendo predominante o perfil de mulheres negras, moradoras de áreas periféricas, muitas vezes chefes de família e responsáveis pelo cuidado de crianças e idosos, o que reforça a urgência de uma atuação sensível às desigualdades estruturais”.
O ciclo de ações previstas dará continuidade à proposta, contemplando outros eixos de atendimento e cuidado, incluindo saúde e assistência jurídica, em parceria com instituições que atuam na pauta de gênero e direitos das mulheres. “A PJF reafirma, por meio dessa iniciativa, seu compromisso com a promoção de políticas públicas que garantam proteção, dignidade e acesso a direitos às mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade, especialmente em contextos emergenciais”, finalizou Ana Carolina Sales.