

Após um semestre de troca de saberes e práticas sustentáveis, o projeto “Aliança Social pela Agroecologia”, promovido pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa Aplicada (Nepa) em parceria com a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), encerrou as oficinas, nesta segunda-feira, 30. A iniciativa reuniu agricultores familiares de Juiz de Fora e cidades vizinhas no Sítio Escola Pachamama, em Penido, e consolida-se como um marco para o fomento à agroecologia, produção regenerativa e incentivo ao consumo de alimentos saudáveis.
Ao longo de seis meses, o programa ofereceu uma imersão que uniu teoria on-line e presencial, além da prática no campo contabilizando 54 horas totais de curso. O conteúdo abordou desde o manejo do solo e o cultivo sem venenos até o beneficiamento de grãos, fortalecendo a rede produtiva local.
Para o produtor e um dos organizadores, Carlos Eduardo Werner, o encerramento representa o cumprimento de uma missão coletiva: “Nosso intuito foi apoiar os agricultores na transição agroecológica e discutir como aproximá-los dos consumidores. Utilizamos o plantio do feijão para contextualizar as oficinas, e o suporte da Prefeitura de Juiz de Fora foi fundamental nesse processo. Viabilizamos uma selecionadora de grãos e medidor de umidade, tecnologias que não existiam na região para os produtores, e vamos fortalecer esse arranjo disponibilizando a máquina de forma gratuita para que o agricultor entregue um produto de excelência e agroecológico para o consumidor”.
Os resultados já são visíveis nas propriedades. Para Wagner Rocha, produtor de Juiz de Fora há sete anos, o curso foi o divisor de águas para abandonar o sistema convencional. “Aprendi que a adubação verde é capaz de regenerar o solo. Agora iniciei a transição e minha meta é seguir para a produção de alimentos orgânicos”, relatou.
Essa visão é compartilhada pela produtora Regina Máxima Lima, de Barbacena, que comercializa em Juiz de Fora e destaca a relação direta entre solo e saúde. “Vamos implantar o mix de leguminosas de inverno e verão para enriquecer a terra e garantir plantas mais produtivas sem químicos. Além disso, aprendi aqui que, quando cuidamos do solo, o consumidor ganha um alimento mais saudável, com sabor mais apurado e muito mais natural. É saúde como um todo.”
Com o encerramento da formação, o projeto entra em uma nova fase estratégica voltada ao mercado. Segundo a produtora e organizadora Liz Werner, o foco agora é fechar o ciclo da cadeia produtiva: “Já temos o feijão plantado e os equipamentos para o beneficiamento. O desafio agora é mobilizar os consumidores para participarem ativamente deste processo, garantindo que o alimento chegue à mesa das pessoas e sustentabilidade para quem produz”.
O projeto "Aliança Social pela Agroecologia" é uma parceria entre o Núcleo de Ensino e Pesquisa Aplicada (Nepa), as prefeituras de Juiz de Fora e Goianá, a Emater-MG e a Intecoop/UFJF. A realização é viabilizada por meio de uma emenda parlamentar do deputado estadual Betão Cupollillo.
Foto: Caio Lima/Nepa