Prefeitura de Juiz de Fora e ONU-Habitat dão início ao “Tecendo a Cidade”, nesta segunda, dia 23
Nesta segunda-feira, dia 23, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), em parceria com a ONU-Habitat, deu início a uma nova etapa do projeto “Tecendo a Cidade: Planejando com Viés Participativo”, com o objetivo de implementar metodologias participativas e ações práticas nos territórios, com o envolvimento direto da população na construção de soluções urbanas. A iniciativa coloca as mulheres no centro das decisões, promovendo espaços mais seguros, inclusivos e acolhedores para todas as pessoas.
Rayne Ferretti, chefe do Escritório do Brasil e oficial a cargo do Escritório do Cone Sul, explica a importância do projeto neste momento de reconstrução. “Ele traz vários produtos e atividades. O primeiro é o Laboratório Urbano, que vai focar na política pública implementada pela Defesa Civil, muito particular e importante neste momento em que Juiz de Fora vive esse processo de reconstrução, após a calamidade recente. Ele também vai olhar o cemitério, um equipamento público e lugar de memória, frequentado pela sociedade, que passou por reformas recentemente, e a gente vai trazer metodologias para tornar esse ambiente ainda mais acolhedor. O projeto também terá oficinas, em especial as oficinas que a gente chama de Cidade Mulher, com foco nas mulheres e meninas, para entender os desafios e as oportunidades dessas pessoas que moram em determinados territórios aqui do município”, explica.
Para Cidinha Louzada, secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular, a iniciativa é “um momento importante para a gente repensar tudo aquilo que, talvez, não estava no nosso radar e agora entra. Juiz de Fora não será a mesma após a tragédia, poderá ser outra cidade, muito melhor, construída de forma diferente, com muitas mãos e pensando na participação popular. A gente tece a cidade junto com todas as pessoas, principalmente as mulheres”, explica.
A prefeita Margarida Salomão destacou a importância do projeto para o desenvolvimento da cidade. “É fundamental abraçar a tarefa do planejamento, um planejamento que se assente na vivência e na experiência das pessoas. A participação popular com a perspectiva de gênero é uma grande inovação, é uma elevação de consciência, é uma mudança de qualidade da participação social”, destaca.
Dentro do programa “Tecendo a Cidade”, a iniciativa começa suas atividades em Juiz de Fora com uma oficina participativa na região do Nova Era. O programa Cidade Mulher é uma adaptação local da metodologia global da ONU-Habitat, conhecida como Auditoria de Segurança das Mulheres. Estruturada em cinco etapas interdependentes — engajar, reconhecer, territorializar e acolher, realizar, promover e sistematizar —, a metodologia propõe a mobilização de mulheres e atores locais para a análise crítica dos territórios.
A primeira oficina será realizada nesta terça-feira, 24 de março, na Escola Municipal Cecília Meireles, em Juiz de Fora. A atividade marca o início das ações participativas da iniciativa “Tecendo a Cidade: Planejando com Viés Participativo”.
A oficina de sensibilização será direcionada a mulheres moradoras da região do Nova Era, incluindo os bairros Nova Era I e II, Santa Lúcia e Jardim Santa Isabel. O encontro tem como objetivo promover um espaço de escuta e troca de experiências, dando início ao processo de construção coletiva de diagnósticos e propostas para a melhoria da segurança urbana.
A partir desse processo participativo, busca-se identificar elementos espaciais e sociais que geram insegurança, compreender os usos dos espaços públicos e elaborar recomendações voltadas à construção de cidades mais seguras, inclusivas e responsivas às questões de gênero. No Brasil, a metodologia já foi aplicada pela ONU-Habitat em estados como Pernambuco e Alagoas, além do município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
O território de atuação em Juiz de Fora foi definido com base em dados e indicadores que evidenciam situações de vulnerabilidade vivenciadas por mulheres, considerando fatores como índices de violência, desigualdades socioespaciais, presença de equipamentos públicos e fluxos cotidianos.
A mobilização das participantes será realizada em articulação com lideranças comunitárias, equipamentos públicos e organizações locais, com o objetivo de garantir diversidade etária, social e identitária entre as mulheres envolvidas.
Implementado em escala de bairro, o Cidade Mulher valoriza as vivências das mulheres como ponto de partida para a construção de diagnósticos e recomendações voltadas à qualificação dos espaços públicos. A iniciativa também prevê a articulação com o poder público municipal e a sistematização dos resultados, ampliando o potencial de incorporação das propostas às políticas públicas locais, em alinhamento com a Agenda 2030 e a Nova Agenda Urbana.