

A cena teatral de Juiz de Fora segue conquistando reconhecimento no estado de Minas Gerais. Recentemente, quatro produções locais foram destaque na 23ª edição do Festival de Artes Cênicas de Conselheiro Lafaiete (Face), trazendo para a cidade um total de 13 prêmios. Os resultados reforçam a qualidade e a diversidade das produções culturais juiz-foranas, especialmente às vésperas da realização do 1º Festival de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Festac), que ocorrerá em novembro e já integra o Circuito de Festivais de Teatro do Interior de Minas Gerais.
Categoria Alternativa: Tradições e ancestralidade em destaque
A peça Benze, dirigida por Fernando Valério, recebeu nove indicações e foi a produção mais premiada da categoria alternativa, conquistando os prêmios de “Melhor Cenografia”, “Melhor Sonoplastia”, “Melhor Atriz Coadjuvante” (Denise Nascimento) e “Melhor Ator” (Welerson Moreira). O espetáculo mergulha nas raízes espirituais e culturais de Minas Gerais, abordando a cura espiritual em comunidades rurais.
“Esses prêmios não representam apenas nosso portfólio pessoal, mas também o da produção cênica amadora de Juiz de Fora — amadora no sentido da dedicação e do amor pelo fazer artístico”, afirma Valério, que também coordena o Programa Gente em Primeiro Lugar, da Funalfa.
Outro destaque foi Lá nas Minas: Contos de Lavadeiras, do Grupo Nzinga de Contadoras de Histórias, que recebeu o Prêmio Especial do Júri. O reconhecimento foi conferido pela abordagem educativa e antirracista da montagem, valorizando histórias de mulheres negras e de suas antepassadas. “Todas nós descendemos de lavadeiras. Ao contarmos nossas histórias, damos voz ao que foi historicamente silenciado”, ressalta Lucimar Silvério, integrante do grupo.
Categoria Infantil: Emoção e ancestralidade com jovens talentos
Dirigida por Gabriel de Oliveira e encenada pelos alunos de teatro da Praça CEU, Luz Ancestral foi premiada nas categorias “Melhor Maquiagem”, “Melhor Atriz Coadjuvante” (Eloá Caldas) e “Prêmio Especial do Júri”. A montagem conta a história de Bença, que enfrenta seu monstro interior — o Orgulho — em uma jornada simbólica e emocionante. Durante a cerimônia, os jurados destacaram o impacto emocional da narrativa, referindo-se ao espetáculo como “um gesto de reverência às vozes que vieram antes de nós”.
Categoria Drama: Reconhecimento nacional para a Cia EITA!
Com a peça Quanto Vale, a Cia EITA! participou pela primeira vez na categoria drama e conquistou cinco prêmios: “Melhor Sonoplastia”, “Melhor Figurino”, “Melhor Atriz Coadjuvante” (Fernanda Vital), “Melhor Ator Coadjuvante” (Lucas Barbosa) e “Melhor Espetáculo”. A narrativa acompanha a trajetória de Vida e sua mãe, Maria, que enfrentam a perda iminente da casa da família, trazendo à tona conflitos e memórias profundas.
“Representar nossa cidade em um festival desse porte é carregar o nome de Juiz de Fora e a qualidade do que se faz aqui”, afirma o diretor Lucas Nunes. O grupo, originado no Programa Gente em Primeiro Lugar, ganhou notoriedade com o espetáculo infantil Assinado, Téo, e agora se aventura pela dramaturgia dramática, abordando temáticas sociais relevantes, como um desastre ambiental ocorrido fora da região Sudeste.
Reconhecimento em Passos
Além das conquistas no Face, o grupo Sala de Giz também foi premiado no 9º Festival Nacional de Teatro de Passos e Região. A peça Terra sem Acalanto recebeu nove indicações e foi laureada com os prêmios de “Melhor Texto Original” (Felipe Moratori) e “Melhor Espetáculo Alternativo”.
“Foi uma noite memorável para os artistas de Juiz de Fora. O teatro da cidade tem mostrado sua força, criatividade e compromisso com temas relevantes. Esses prêmios demonstram que seguimos no caminho certo”, conclui Lucas Nunes.