Em celebração ao Dia do Cinema Nacional, nesta quarta-feira, 19, o projeto “Caminhando pela História” exibiu no Cine-Theatro Central trechos de um curta-metragem produzido pelo cineasta João Carriço, pioneiro do cinema em Minas Gerais, essenciais para compreender o desenvolvimento histórico de Juiz de Fora. Em outra ação, também nesta quarta-feira, foi realizada uma visita guiada no Museu do Crédito Real, que preserva objetos do primeiro banco de Minas Gerais, criado por D. Pedro II em 1889. Participaram integrantes do Centro de Convivência da Pessoa Idosa, um programa da Associação Municipal de Apoio Comunitário (Amac) em parceria com a Secretaria de Assistência Social (SAS) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF).
Antes da exibição do cinejornal no Cine-Theatro Central, os bolsistas do teatro explicaram que, nas décadas de 30 e 40, o brasão da Companhia Central de Diversões, banhado em ouro, foi instalado no palco. Ele acendia acompanhado de um sinal sonoro para informar que os filmes e espetáculos teatrais e musicais iam começar. O mesmo acontecia durante as pausas do intervalo. Durante o passeio, houve uma demonstração ao público sobre como funcionava o mecanismo. A primeira exibição cinematográfica foi em 30 de março de 1929 com o filme “Esposa Alheia”, acompanhado de uma orquestra.
A caminhada também incluiu um passeio pelas instalações do Cine-Theatro Central, um dos principais patrimônios culturais de Juiz de Fora, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Houve uma explicação sobre as pinturas do artista italiano Angelo Biggi. Nas laterais do teto, suas referências musicais incluem os rostos do italiano Giuseppe Verdi; dos alemães Richard Wagner e Ludwig van Beethoven, além do brasileiro Carlos Gomes.
A professora Tâmara Reis ressaltou que o passeio foi uma excelente oportunidade para conhecer melhor Juiz de Fora. “Muitas vezes, viajamos e queremos saber tudo sobre outros lugares, mas há tanta coisa interessante perto de nós. Às vezes, é isso que falta para valorizarmos mais nossa própria cidade. Eu conhecia pouco dos filmes do cineasta João Carriço. Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha assistido. Então, foi uma ótima oportunidade. Já tinha visitado o teatro antes e acho que vale muito a pena. Hoje, fiz questão de trazer meu filho, Tomás, de 12 anos, para conhecer pela primeira vez”, disse Tâmara.
Já o trajeto no Museu do Crédito Real foi guiado pelo historiador Roberto Dilly, que explicou a trajetória do banco e sua associação com os acontecimentos históricos e sociais do Segundo Reinado, sendo a primeira instituição bancária a financiar a agricultura no país. “Em 1889, um grupo de empresários e fazendeiros do café em Juiz de Fora fundou o banco para administrar os recursos financeiros da produção de café, liderados por Bernardo Mascarenhas, Francisco Baptista de Oliveira, senador José Joaquim Monteiro da Silva (Barão de Santa Helena), Marcelino de Brito Pereira de Andrade (Visconde de Monte Mário) e João Ribeiro de Oliveira e Souza, que posteriormente se tornou Ministro da Fazenda da República”, explicou Dilly.
Ele destacou que, mesmo não sendo capital, a cidade ocupava uma posição privilegiada pelo seu alto índice de produtividade e desenvolvimento, sendo a primeira em arrecadação fazendária estadual por 80 anos. Em 1998, após 109 anos de atividade contínua, o Banco do Crédito Real foi privatizado pelo Governo de Minas Gerais. O presidente Itamar Franco foi o único governante a investir recursos financeiros no museu.
Durante a caminhada, também foi possível conhecer o mobiliário, como cofres, escrivaninhas e guichês, além de maquinário, tais como calculadoras, telefones da época, bem como cédulas e moedas de diferentes épocas e países. A aposentada Serina Cardoso da Silva se emocionou com o passeio. “Antigamente, as louças eram muito pesadas, mas agora tudo é leve. As peças antigas lembram a mãe, o pai e a família. É a primeira vez que venho ao museu e achei tudo fantástico. Fiquei encantada, vou sonhar com isso à noite”, disse Serina.
Outras visitas guiadas serão realizadas nesta quinta-feira à cervejaria Hofbauer no Convento da Igreja da Glória e ao Museu Mariano Procópio. Na terça-feira, 25, o passeio será no projeto “Colorindo Habitar”, no bairro Esplanada. Os ingressos estão disponíveis gratuitamente na plataforma Sympla.
As visitas do projeto "Caminhando pela História" são coordenadas pela Secretaria de Turismo (Setur), em parceria com as secretarias de Governo; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Assistência Social; Fundação Alfredo Ferreira Lage; Cine-Theatro Central; cervejaria Hofbauer e o Centro de Convivência da Pessoa Idosa.