

Nesta sexta-feira, 4, é celebrado o dia internacional da obesidade, com o objetivo de chamar a atenção da população sobre a doença crônica, estimular discussões, alertar sobre a complexidade dos fatores causadores e incentivar o foco do tratamento na saúde e no bem-estar dos indivíduos. A data visa também desmistificar e esclarecer que a pessoa que sofre de obesidade precisa de um tratamento, e não de julgamentos e rótulos pré estabelecidos.
A Secretaria de Saúde (SS) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) dispõe de centros de atendimentos para pacientes com obesidade, principalmente àqueles com comorbidades, como diabetes, hipertensão arterial, depressão e distúrbios osteoarticulares. Para casos mais avançados de obesidade é oferecido, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o programa de cirurgia bariátrica no Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ).
Com o retorno das cirurgias em 2021, o agendamento da consulta com a endocrinologista, que dá o primeiro passo para a entrada no programa, é através da Central de Marcação de Consultas (CMS) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). A partir disso, os pacientes percorrem todo o caminho para estarem preparados para a cirurgia, através de consultas com diversos profissionais. Quando o diagnóstico apontar que o paciente está apto, é realizado o agendamento para a cirurgia.
O programa envolve a participação de uma equipe multidisciplinar, composta por endocrinologista, nutricionista, psicóloga, enfermeira, assistente social, fisioterapeuta, cardiologista, pneumologista e cirurgião bariátrico. Esses profissionais são especializados no atendimento aos pacientes obesos e auxiliam durante todo o processo.
Especialista em endocrinologia e metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Arnaud Benini de Resende destaca que o tratamento das pessoas obesas é uma maneira para que sejam tratados de forma correta, e ressalta o papel da sociedade em entender a obesidade como uma doença crônica e sem preconceito. “A obesidade é hoje noticiada como uma epidemia mundial, o que não deixa de ser uma realidade triste e assustadora. Mas o problema é bem mais profundo, exige esforços e ações de todos nós. Precisamos somar forças, quebrar a barreira da desinformação e olhar a obesidade além do estigma e do preconceito. É necessário entendê-la como doença crônica e multifatorial, dependente de tratamentos, ações e políticas de saúde duradouras, de longo prazo, para que assim superarmos este grave problema de saúde mundial”.
O coordenador do serviço de cirurgia bariátrica do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus de Juiz de Fora (HMTJ) e membro da sociedade brasileira de cirurgia bariátrica e metabólica, Vitor Cangussu, alerta sobre a crescente onda de pessoas obesas na cidade. “Em Juiz de Fora, infelizmente, não temos um panorama diferente do restante do Brasil e do mundo. Nossa população de obesos vêm se tornando cada vez maior, e com isso, temos visto uma sobrecarga crescente do sistema de saúde como um todo”.
Vitor destaca, também, sobre o tratamento, reforçando que a obesidade não é uma questão de estilo de vida, mas de saúde. “O dia internacional da obesidade é uma excelente oportunidade para se discutir sobre a doença, suas consequências, e principalmente, alertar à população que existe tratamento. A obesidade não é uma questão de estilo de vida, trata-se de uma doença crônica, recidivante e multifatorial”.
Uma história de conquista e luta
Como uma questão de saúde pública, a obesidade precisa de tratamento diariamente. Parte significativa da população brasileira convive com a doença, como é o caso de Driele Oliveira Valle, de 36 anos, operada através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde os seis anos de idade, ela luta contra a obesidade. Fez inúmeras dietas, uso de medicamentos e tratamentos. Por muito tempo, conviveu com essa condição de saúde sem nenhum incômodo, pois não tinha sido diagnosticada nenhuma doença. Após o seu primeiro filho, Driele teve diabetes tipo 2 e hipertensão. Com isso, procurou o serviço de bariátrica do Hospital Maternidade Therezinha de Jesus (HTMJ).
Para a paciente, que realizou a cirurgia em 2021, um dos motivos para fazer o procedimento foi por conta da qualidade de vida. “Eu prefiro fazer a reposição vitamínica a viver dependendo de remédios para diabetes e hipertensão. A cirurgia é algo que desejamos muito, pois sabemos que devolverá a qualidade de vida”.
A paciente destaca questões importantes, como o tratamento e o paradoxo da sociedade em relação à condição das pessoas obesas. “Obesidade é uma doença e precisa ser enfrentada, precisa de tratamento. As pessoas obesas são vistas como preguiçosas, que só pensam em comer, e que não têm força de vontade. Nós obesos somos taxados assim, mas essa não é a realidade. Obesidade é doença, sim”.
A condição de saúde afetou drasticamente a vida de Diego Eugênio Pires, de 38 anos. Ele conta que o seu peso estava a nível alarmante, e com isso, afetou diretamente sua vida e rotina. A motivação para fazer a cirurgia bariátrica veio com o apoio dos amigos, familiares e de sua esposa. Os resultados, segundo ele, “apareceram rapidamente, uma vez que meu peso no início do processo era de 194kg, e, após alguns meses de cirurgia, eu cheguei ao peso de 88kg”.
Diego destaca como foi conviver com essa condição de saúde por anos, e sofrer com o preconceito da sociedade. “Convivi com isso por muito tempo, senti na pele o preconceito das pessoas, o jeito de olhar de uma forma diferente. Aqueles que também estão com essa condição, peço para que não deixem para depois os cuidados, o quanto antes mudar sua vida e seus hábitos, melhor”.
Para mais informações, entre em contato com o Hospital Maternidade de Therezinha de Jesus (HMTJ) e a Central de Marcação de Consultas (CMC).
Hospital Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ)
Endereço: Rua Dr. Dirceu de Andrade, 33 – São Mateus, Juiz de Fora
Telefone: (32) 4009-2277
Horário de Funcionamento: 24h
Central de Marcação de Consultas (CMC)
Telefone: 3690-8652
Foto: Pexels