“JF + Carnaval” - Encontro de gerações no cortejo de afoxés
Os afoxés Niza Nganga Njungo e Filhos de Oyá promoveram um encontro de gerações na quarta-feira, 4, durante o cortejo realizado entre as praças da Estação e Antônio Carlos, no Centro. Integrantes de todas as idades participaram dos desfiles, parte da programação do projeto “Juiz de Fora + Carnaval”, promovido pela Prefeitura (PJF), por meio da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa). Os dois grupos renderam homenagem a Iemanjá.
O primeiro afoxé a se apresentar foi o Niza Ngango Njungo, do Bairro Ipiranga, na Zona Sul, que está completando dez anos de existência – “e resistência”, como destacou a presidente do grupo Rosemary Pereira. “Muitas pessoas ainda têm preconceito com religiões de matriz africana. Mas isso não deveria acontecer, porque o Brasil todo é afrodescendente”, defendeu uma das integrantes do Niza, Regina Maria Dutra, 54 anos, que mora no Centro. Segundo ela, o cortejo, realizado há seis anos durante o carnaval de Juiz de Fora, é fundamental para aumentar a visibilidade dos afoxés, o que funciona como ferramenta de combate ao racismo e ao preconceito religioso.
Tamara Silva, 24 anos, estava entre as mais empolgadas do grupo, ao lado dos filhos Richard, 2 anos, Letícia, 4, e Samara, 7: “Acho importante passar para eles a nossa cultura. Desde cedo, todos participam do desfile, e gostam muito.”
Na sequência, foi a vez do Afoxé Filhos de Oyá se apresentar. Cantando em homenagem a Iemanjá e Oxossi, o grupo percorreu o trajeto em alas distribuídas por faixa etária, com os mais novos à frente.
O pedreiro Carlos Henrique de Paula, 41, de Lima Duarte, acredita que manifestações culturais como essa representam a conquista do negro na sociedade, e lembra que a discriminação contra o negro é menos aceita no Brasil. “Já viajei para muitos países para difundir minha cultura, e a recepção que temos em Juiz de Fora é uma das melhores”.
O percussionista Braz Vicente, 68, morador do Bairro Amazônia, participa destas festas culturais há mais de 30 anos, e encontra no cortejo uma oportunidade para tocar o atabaque não como ofício, mas, para festejar: “O importante mesmo é que todo mundo se divirta, junto com o público. Como em outra época, a gente vem pra rua pra brincar, sentir a liberdade e festejar”.
* Mais informações com a Assessoria de Comunicação da Funalfa – 3690-7044.