

A Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Secretaria de Saúde, vem a público esclarecer o atual quadro de casos de hepatite A no município. O objetivo é assegurar informações precisas à população e evitar interpretações equivocadas que possam gerar alarme desnecessário.
Estamos vivendo um surto de hepatite A?
Não. O que ocorre atualmente é um aumento pontual no número de casos. Até o momento, foram registrados 65 casos em 2026. Esse cenário não caracteriza surto. Tecnicamente, o termo “surto” é utilizado quando há: (a) número de casos acima do esperado para o período e (b) vínculo epidemiológico comprovado entre os casos. Até o momento, não se verificam essas duas condições, já que o município acompanha um crescimento de casos no cenário nacional e não há evidência de vínculo epidemiológico entre os registros.
O quadro se restringe a Juiz de Fora?
Não.O município está inserido em um contexto mais amplo, de elevação dos registros em todo o Brasil, especialmente no Sudeste. Desde 2024, o Brasil tem registrado aumento dos casos da doença, com impactos em diferentes regiões. Dados consolidados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2024 e 2025, houve crescimento de 54,5% no país e de 57,1% na Região Sudeste.
A disseminação ocorre pela água consumida?
Nos casos ocorridos no município, trata-se de hipótese considerada pouco provável. Caso a água fosse a fonte de contaminação, o número de casos tenderia a ser significativamente maior e com padrão de distribuição mais amplo.
Com base no monitoramento epidemiológico realizado pela Secretaria de Saúde, a hipótese mais consistente é a de transmissão associada ao consumo de alimentos crus sem adequada higienização. Também há registros de pessoas que estiveram fora do município e de indivíduos com histórico de contato com esgoto. Essas hipóteses apresentam maior plausibilidade para explicar o aumento observado.
Campanhas de vacinação poderiam conter o aumento de casos?
A ampliação de campanhas de vacinação, neste momento, não se mostra como medida de maior impacto para o perfil atual dos casos. A maioria das ocorrências registradas concentra-se em homens na faixa etária de 30 a 39 anos.
O público-alvo da vacinação contra hepatite A, conforme o calendário nacional, é composto por crianças de 15 meses a 5 anos de idade. Portanto, o grupo mais afetado neste momento não integra o público contemplado pela estratégia rotineira de imunização.
O que a Prefeitura tem realizado para conter o aumento de casos?
A Secretaria de Saúde tem adotado as seguintes medidas: monitoramento epidemiológico contínuo dos casos; oferta de exames diagnósticos; emissão de nota técnica de alerta aos serviços e profissionais de saúde; divulgação de cartilha com orientações sobre prevenção e cuidados após o diagnóstico; busca ativa e investigação epidemiológica de todos os casos notificados; organização da rede assistencial para atendimento e manejo adequado dos pacientes.
A Prefeitura de Juiz de Fora reforça que a situação está sob acompanhamento permanente da Secretaria de Saúde. A população deve manter as medidas de prevenção, especialmente a higienização adequada das mãos e dos alimentos, e buscar atendimento em caso de sintomas. Novas informações serão divulgadas de forma transparente sempre que necessário.