

A Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig/ILCT) e a Universidade Federal de Juiz de Fora, iniciou o projeto de fortalecimento do Arranjo Produtivo Local (APL) Queijo Minas do Caminho Novo. A iniciativa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e prevê a realização de diagnóstico detalhado da produção de queijo Minas Frescal em 11 agroindústrias da região.
O trabalho técnico contempla propriedades localizadas em Juiz de Fora, Chácara e Matias Barbosa. Até o momento, sete unidades produtoras já foram visitadas. A equipe de pesquisadores realiza coletas de amostras de leite, água e queijo para análises físico-químicas e microbiológicas, com o objetivo de avaliar a qualidade da matéria-prima e as condições higiênico-sanitárias ao longo das etapas de processamento.
As visitas incluem ainda a realização de swabs (testes de superfície) em equipamentos, formas, mesas e nas mãos dos manipuladores, além do monitoramento da qualidade do ar nos ambientes de fabricação e câmaras frias, para identificação de fungos e leveduras. A proposta é mapear possíveis fontes de contaminação e compreender como fatores como manejo dos animais, ordenha e rotinas de higienização influenciam o produto final.
De acordo com a coordenadora do projeto e pesquisadora da Epamig/ILCT, Denise Sobral, além das coletas laboratoriais, os produtores respondem a questionários sobre volume de produção e técnicas de fabricação. O cruzamento dessas informações com parâmetros de textura, cor e peso dos queijos permitirá traçar um perfil representativo da identidade produtiva do APL Caminho Novo.
Para a produtora Luiza Cunha, participante da iniciativa, o projeto representa um avanço importante para o setor. “Essa iniciativa é fundamental para nós que fabricamos alimentos diariamente. Garantir a qualidade do produto feito aqui em Juiz de Fora é essencial para ampliarmos mercado e oferecermos um produto de excelência aos consumidores. Quem não se preocupa com a qualidade dificilmente consegue competir”, afirmou.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Agrário, Valdeane Cerqueira, a ação reafirma o compromisso do município com a valorização da produção local. “O acesso a análises laboratoriais é instrumento estratégico para o fortalecimento da cadeia produtiva. Além de assegurar um produto seguro ao consumidor, a parceria contribui para consolidar o Queijo Minas do Caminho Novo, reconhecido oficialmente em 2023, como símbolo de tradição e qualidade”, destacou.
Ao término do projeto, cada queijaria receberá laudo técnico individualizado e confidencial, com orientações técnicas para correção de eventuais gargalos e aprimoramento dos processos produtivos. Os produtores também poderão participar de treinamentos teóricos e práticos nas instalações da Epamig/ILCT, referência no setor de laticínios desde 1935.
A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável – e 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura