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O projeto “Trilhas da Liberdade – Murais cerâmicos celebram a democracia nos 61 anos do golpe militar” que fixa painéis artísticos em locais e prédios históricos da cidade, é uma parceria entre a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Fadepe), através de emenda parlamentar da vereadora Laiz Perrut. A iniciativa tem o apoio na organização do "Grupo de Trabalho - 61 Anos do Golpe" integrado pela UFJF, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)/JF, Comissão Municipal da Verdade, Família Riani, além da PJF.
Na segunda-feira, 24 de março, “Dia Internacional para o Direito à Verdade para as Vítimas de Violações dos Direitos Humanos”, às 18h30, o 3º painel do projeto “Se queres mudar o mundo, mude a ti mesmo” do artista Matheus Rodrigues Coutinho, será instalado no Centro de Conservação da Memória (CECOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (antigo Diretório Central dos Estudantes - DCE), na Av. Getúlio Vargas esquina com a Rua Floriano Peixoto. As presenças da prefeita Margarida Salomão e da reitora da UFJF, Girlene Alves estão confirmadas.
Foram convidados para o evento professores, estudantes, ex-presidentes do DCE do período da Ditadura. A cerimônia também irá contar com a apresentação de artistas que participaram do SOM ABERTO no período ditatorial. São eles: Xico Teixeira, Domingos (Bilinho), Marcinho Itaboray, Guto Gomes, Estêvão, Hélio José (Dudé), Henrique, João Couto e Dudu. No espaço, acontecerá também a inauguração da exposição organizada pelo CECOM, “Vozes em Tempos de Silêncio: cenas do movimento estudantil da UFJF durante a ditadura civil-militar” onde através de diversos tipos de documentos (fotos, cartazes, panfletos, noticias de jornal, etc) são apresentadas diversas cenas de diferentes momentos da luta do movimento estudantil da UFJF contra a ditadura civil-militar e por uma universidade mais democrática e inclusiva de 1966 a 1985. Além desses eventos, teremos as homenagens a ex-presidentes, alunos, professores e servidores.
De acordo com o Secretário Especial de Direitos Humanos, Biel Rocha, abrigar o DCE transformou o prédio em símbolo da resistência contra a ditadura civil-militar instaurada com o golpe de estado de 1964, o que justifica sua inclusão no projeto Trilhas da Liberdade. "A instalação do DCE neste endereço na década de 1970, coincide com o período em que a campanha pela redemocratização se intensifica na sociedade com a participação expressiva dos estudantes. As gerações anteriores, sob o impacto da AI5, coube a resistência altiva às arbitrariedades do regime ditatorial, tendo muitos estudantes sido presos e muitos torturados. Relembrar a resistência democrática contra os abusos de poder do período autoritário é fundamental para que não se esqueça, para que não mais aconteça".
Painéis já instalados:
Praça Antônio Carlos (Auditoria Militar)
Sobre a escolha do local: a Auditoria Militar teve a função de processar e julgar crimes de natureza militar. Na década de 1960, a Auditoria se localizava em um edifício em frente à Praça Antônio Carlos. Por lá passaram centenas de militantes que foram presos ou perseguidos pelo regime. Muitos eram denunciados porque integravam sindicatos, movimento estudantil ou participavam da circulação de jornais alternativos. Depoimentos de advogados que atuaram na defesa de presos políticos denunciam que no local eram impostos constrangimentos.
Conservatório Estadual de Música Haideé França Americano (Rua Batista de Oliveira, 377, Centro)
Sobre a escolha do local: A edificação histórica, hoje tombada pelo patrimônio público, deixa no passado a história de ter sido uma prisão para se tornar uma escola de Música. Entre os anos 1930 e 1982, o prédio em que se localiza o Conservatório funcionava como uma cadeia pública e repartição da Delegacia de Polícia Civil. De acordo com o Relatório da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora, o prédio foi utilizado como espaço de prisão e repressão durante o período da ditadura.
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