Fórum reafirma a importância do trabalho em rede para fomento ao turismo
A importância do trabalho conjunto entre poder público, iniciativa privada, academia e entidades ligadas ao turismo, para fomento ao setor, foi ponto convergente nas abordagens dos palestrantes do “Primeiro Fórum de Gestão de Turismo e Eventos de Juiz de Fora e Região”, realizado pelo Juiz de Fora Convention & Visitors Bureau (JFC&VB), na tarde da quarta-feira, 3, no Trade Hotel, em Juiz de Fora. O evento reuniu centenas de pessoas, entre representantes públicos, de entidades, empresários, professores e alunos interessados no tema.
Participaram da abertura, o presidente do Brasil Convention, Márcio Santiago, e a presidente do JFC&VB, Thaís Lima; o reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcus David; e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agropecuária (Sedeta), da Prefeitura de Juiz de Fora, Rômulo Veiga.
Thaís Lima destacou que o encontro tem para o Convention um grande significado, construído de forma colaborativa, com alunos do curso de Turismo da UFJF, patrocinadores e apoiadores. “Sabemos da importância de Juiz de Fora no cenário nacional. Com trabalho conjunto, vamos conseguir fazer da cidade mais do que ela já é. O Convention pode ser parceiro do setor público, braço e voz dos empresários”.
O secretário Rômulo Veiga falou do potencial de Juiz de Fora para o turismo e do papel da Prefeitura na aproximação dos atores envolvidos na construção de políticas públicas para o setor: “Temos inúmeros equipamentos culturais, mobilidade, com dois aeroportos, hotéis e um patrimônio que precisa ser trabalhado. Precisamos elencar ações para atuação em rede, e essa é uma das pautas da Prefeitura, através da Sedeta, para a construção do Plano Municipal (de Turismo), que tenha metas exequíveis para o turismo para os próximos anos”.
O reitor da UFJF, Marcus David, lembrou os diversos equipamentos culturais e científicos oferecidos pela universidade, que, “com um trabalho conjunto, podem ser ainda melhor explorados”. “A UFJF também demanda à cidade, com a realização de eventos que trazem um público muito importante para Juiz de Fora”, avaliou.
Para o presidente do Brasil Convention, Márcio Santiago, quando se trata de turismo, a exemplo de várias cidades brasileiras, a harmonia entre universidade, poder público e privado, “torna a cidade imbatível”. Santiago elogiou a atuação do Juiz de Fora Convention e anunciou que o município será o primeiro, fora da capital, a receber um Congresso Brasileiro de Conventions, no próximo ano. A 12ª edição do evento será de 22 a 24 de março.
Leis de Incentivo
A primeira palestra tratou o tema “Leis de Incentivo e Mecanismos de Financiamento para eventos”, ministrada pelo superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, Felipe Amado, com moderação do assessor da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), Carlos Henrique Raposo. Para Felipe, as leis configuram-se como “uma grande oportunidade para promoção de turismo que nós temos, hoje, no Brasil”.
Felipe abriu a palestra contextualizando a economia criativa no país e sua importância na geração de emprego e renda: o setor gerou mais de 4,6 milhões de empregos no Brasil, em 2016, mais de 400 mil, só em Minas Gerais, de acordo com dados apresentados pelo superintendente.
Ele mostrou o funcionamento da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e as diferenças entre essa e a Lei Federal. A primeira, baseada no Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido, e a segunda por meio do Imposto de Renda. Felipe observou que, a cada R$1 investido em projetos culturais, R$1,59 retorna à economia.
O assessor da Funalfa, Carlos Henrique Raposo, disse que, nos últimos anos, Juiz de Fora vem trabalhando com as leis estadual e federal, que já viabilizaram a realização de eventos importantes para a cidade, como o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga e o Corredor Cultural. “Em Juiz de Fora, o potencial para a Lei de Incentivo à Cultura é de mais de R$60 milhões. Nos últimos dois anos, o número de projetos e os valores captados vem aumentando”, destacou.
A programação seguiu com o presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis em Minas Gerais (ABIH/MG), Guilherme Sanson, que falou sobre hotelaria criativa, em palestra moderada pelo vice-presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais, Agropecuárias e de Serviços do Estado de Minas Gerais (Federaminas), Roberto Fagundes. Sanson abordou o panorama da hotelaria no Brasil e o futuro desse mercado, chamando a atenção para a importância da inovação e para as mudanças da era digital.
O diretor de Marketing da RioTur, Maurício Werner, apresentou alternativas para lidar com a falta de recursos do poder público, por meio de parcerias público-privadas. Ele definiu o turismo como “elemento vital para o desenvolvimento do Brasil” e citou ações recentes para o fortalecimento da imagem positiva da cidade do Rio de Janeiro no Brasil e exterior. Para ele, “é papel do poder público estimular, articular e fomentar as ações”.
Plano Municipal de Turismo é apresentado pelo Comtur
O Conselho Municipal de Turismo de Juiz de Fora (Comtur JF) apresentou o andamento do Plano Municipal de Turismo, com conclusão prevista para o final deste ano. A presidente do Comtur, Tatyana Hauck Herdy Hill, falou das etapas de elaboração do documento, que reunirá as propostas para o desenvolvimento da atividade turística no município. “Percebemos que nosso cenário atual é bem diferente daquele de 2004, quando foi publicado o Plano Setorial de Turismo, e que era necessária a construção de um novo plano que, além de diretrizes, preveja as ações para os próximos anos”.
Tatyana chamou a atenção para a importância de que este novo plano seja participativo, com a contribuição do setor e sociedade. “O que construímos até agora foi através de um trabalho realizado por uma comissão do Comtur, e não está fechado. A ideia é ampliar a discussão, em um debate público, previsto para agosto. Queremos um plano que contemple a cidade, não para o setor público ou iniciativa privada, mas para Juiz de Fora”.
A conselheira Mariana Pimentel, professora do curso de Turismo UFJF, falou da metodologia, do diagnóstico e prognóstico do plano. A proposta se apoia na identidade do município, destacando aspectos históricos, raízes étnicas e econômicas.
Entre os segmentos turísticos prioritários apontados, estão negócios e eventos, compras e cultural, e gastronômico. Os secundários, de aventura, zona rural e turismo associado a serviços de saúde.
Segundo ela, “o objetivo geral é fomentar o turismo local, a partir de suas características identitárias, de modo a possibilitar o ´turismo de experiência´, tornando Juiz de Fora um destino turístico de referência e atratividade regional, de alto valor comercial e simbólico”.
Foto: Divulgação
Informações com a Assessoria de Comunicação da Sedeta, pelo telefone 3690-8341.