3. Análise Física e Sócio-Econômica

(continuação)

3.3.3 Região de Planejamento (RP) Grama


Estruturação Espacial

A RP tem como eixo estruturador a MG-353 (Mapa 06). Esta rodovia, além de responsável pela ligação da Zona da Mata com Juiz de Fora, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, desempenha o papel de via local, ligando esta RP ao Centro e integrando-a à malha urbana.

Nas áreas mais planas e próximas ao Centro observa-se um adensamento na ocupação que vai se rarefazendo ao longo da MG-353, e ganhando formas diferenciadas à medida que se afasta desta até configurar-se como áreas típicas de fronteiras urbanas. Filgueiras, que foi recentemente anexada ao Município, situa-se nesta última característica.

Outro fator de estruturação do espaço urbano nesta RP é a ocupação cada vez mais intensa das encostas íngremes pelas camadas média e baixa, que vão sendo “expulsas” do Centro, à medida que ocorre valorização dos seus terrenos num contexto típico de periferização.

Em conseqüência desse movimento, esses bairros encontram-se hoje, consolidados, altamente adensados, com uma ocupação sobre uma malha viária estreita e curvilínea. Observa-se vias de penetração ocupando os vales e conectando-se com eixos do vale principal (Av. Brasil, Av. Barão do Rio Branco e Rui Barbosa).

Atividades Econômicas

A RP Grama é predominantemente residencial, sendo que parte dela mantém um forte vínculo com a RP Centro, pois muitas das pessoas que ali residem lá trabalham no comércio e como prestadores de serviços no Centro.

Apresenta dois subcentros a saber:

O primeiro é Manoel Honório, quase uma extensão do Centro, onde as Avenidas Barão do Rio Branco e Governador Valadares comportam um forte comércio de bairro e encontram-se em processo de crescimento congregando supermercados, bancos, lojas de materiais de construção e madeireiras, além de instituições públicas, bares e similares com intensa atividade noturna. Exerce influência sobre os bairros Centenário, Bonfim, Bairu, Progresso, Marumbi, Santa Rita e Nossa Senhora Aparecida.

O outro é Santa Terezinha, praticamente contínuo a Mariano Procópio, mais distante do Centro. Adquire maior importância por possibilitar, com o comércio e serviços locais, a redução dos deslocamentos de seus moradores para o Centro. Exerce influência sobre os bairros Eldorado, Nossa Senhora das Graças e Mariano Procópio.

Além do comércio, registra-se a presença de algumas indústrias, várias revendedoras de automóveis, lojas de materiais de construção e oficinas mecânicas. Conta com equipamentos de cultura e lazer próximos como o Museu Mariano Procópio, diversos bares, clube de dança e o campo do Tupi F. C. Abriga também, importantes equipamentos públicos como a Delegacia de Polícia, as Secretarias de Educação e de Agropecuária e Abastecimento, o Instituto de Laticínios Cândido Tostes, o DNER, o DER, o 2º Batalhão de Polícia Militar, entre outros.

A Av. Rui Barbosa é o eixo principal deste subcentro, concentrando grande parte dessas atividades. Além disto, esta via é sobrecarregada pelo tráfego pesado oriundo da Zona da Mata, pela MG-353, que também exerce pressão sobre a Av. Brasil e, conseqüentemente sobre a ponte Governador Valadares.

Em outra vertente, parte de Grama e ao longo da MG-353, prevalecem atividades hortigranjeiras, que abastecem grande parte do mercado de Juiz de Fora.

Infra-Estrutura

Há homogeneidade no tocante ao saneamento básico, com índices superiores a 95% nos serviços de abastecimento de água, rede coletora de esgoto e coleta de lixo em quase toda a RP. Os bairros Grama e Granjas Bethânea apresentam índices mais baixos com 75,70% e 81,9%, 76,90% e 67,10% e 70,80% e 60,70%, respectivamente, para abastecimento de água, rede coletora de esgoto e coleta de lixo.

O sistema viário da região é quase totalmente pavimentado, à exceção dos bairros Grama e Granjas Bethânea que têm 58% e 35%, respectivamente, das ruas sem qualquer tipo de pavimentação. Cabe ressaltar o intenso tráfego de caminhões de carga, na MG-353 que, no trecho urbano, não apresentando condições para tanto, coloca em risco as demais modalidades de transportes, principalmente às pessoas que fazem uso corrente desta rodovia.

Uso e Ocupação do Solo

A forma de apropriação do espaço urbano rebate-se num uso do solo de relativa diversificação em meio ao predomínio residencial. Prevalece o uso comercial/serviço e, em menor escala, o industrial ao longo da Av. Brasil, bem como no interior dos bairros em suas ruas principais.

O uso residencial é constituído de edificações de 1 e 2 pavimentos com alguma incidência de prédios em torno da Av. Barão do Rio Branco e no Bairro Bairu.

Os Bairros Manoel Honório, Santa Terezinha e seus entornos apresentam uma ocupação mais antiga, ao passo que na vertente do Bairro Grama, ao longo da MG-353, o fenomeno é mais recente. Até meados da década de 60, os limites da mancha urbana não ultrapassavam a Garganta do Dilermano. 0

No Bairro Bandeirante foram implantados, ao longo dos anos 70, diversos conjuntos habitacionais destinados à população menos favorecida. Tal assentamento, que trouxe consigo a infra-estrutura, impulsionou a ocupação local, que hoje se apresenta muito intensa e com poucas áreas desocupadas. Sua configuração física é marcada por lotes de dimensões convencionais, edificações de, no máximo três pavimentos e muitas residências unifamiliares. Sua população é constituída por camadas de renda média e baixa.

Dentro de um grupo de bom padrão de ocupação estão Bairu e Bom Clima. Possuem bom sistema viário e boa infra-estrutura básica. Seus moradores têm nível sócio-econômico médio a alto, predominantemente de residências unifamiliares. Os contrastes sociais do bom Clima com o entorno, foram logo se revelando, o que provocou a instalação, pelos moradores, de cancelas nos dois acessos ao bairro com vistas à sua segurança.

Os bairros Granjas Bethânea e Grama, com ocupação heterogênea, compreendem moradias unifamiliares, associadas a granjeamentos com algumas características rurais. Ao longo da MG-353 encontram-se inúmeras áreas de cultivo de hortaliças que aproveitam as várzeas dos cursos d’água existentes.

A mancha urbana do Bairro Grama é basicamente linear, acompanhando historicamente o percurso da MG-353 e, mais recentemente, o traçado do acesso à Filgueiras. No entorno desta rodovia, há maior concentração populacional numa pequena área onde são desenvolvidas as atividades urbanas mais significativas deste bairro. À medida que se afasta deste núcleo, nota-se a implantação de novos loteamentos e a ocupação mais recente daqueles já existentes, além da presença de granjas de lazer, como as do Recanto dos Lagos, ou de atividades agrícolas, principalmente nas áreas planas com boa rede hídrica.

As legislações de parcelamento e de uso e ocupação do solo vigentes reforçam os conflitos da MG-353, uma vez que atribui a esta via o papel de concentrador das atividades da região que, aliado ao tráfego, gera os transtornos atuais.

Condições Sociais

A grande diferença social entre os bairros desta RP está bem caracterizada pela renda. De um total de 19 bairros, em cerca de 17 deles, a faixa dos chefes de família que recebem até 2 S.M. é próxima ou superior a 50%, enquanto que no Bairu 55,7% recebem acima de 5 S.M. e a renda média das famílias residentes no Bom Clima (14,58 S.M.). É a mais alta apresentada em Juiz de Fora. Cabe lembrar que os indicadores apontaram o Bairro Bom Clima como um dos locais que apresentam as melhores condições de vida do Município. Paralelamente, verifica-se a proliferação de ocupações por população de baixa renda, em condições precárias, desprovidas de qualquer infra-estrutura urbana e, inclusive, em encostas passíveis de escorregamento ou na beira de córregos, estando assentadas em áreas subnormais 621 famílias, sendo 128 no Bairro Bandeirantes, no leito da antiga estrada de ferro “Leopoldina”.

Quanto à rede pública de ensino, é constituída de 24 escolas, sendo que Santa Terezinha abriga o Instituto de Laticínios Cândido Tostes, que forma técnicos na área de laticínios.

Para lazer, a RP Grama possui algumas áreas públicas: apenas praças no Vale dos Bandeirantes, no Bairu, em Granjas Bethânea e em Grama, que tem, também, um parque infantil.

A proximidade do Museu Mariano Procópio é uma opção para os moradores de alguns bairros como Santa Terezinha, Centenário e Manoel Honório.

Condições Ambientais

A RP Grama apresenta duas situações opostas quanto às áreas verdes. Enquanto que o Bairro Grama dispõe de 398,22m2/hab.., Bandeirantes tem 57,79m2/hab.., índice muito acima do mínimo proposto de 12,0 m2/hab. e Granjas Bethânea tem 19,45m2/hab.. Os demais bairros estão bem abaixo, existindo, inclusive, aqueles que não tem qualquer área verde, como Bonfim e Bom Clima.

O Bairro Grama se destaca pela incompatibilidade de usos, pois atividades agropecuárias (pocilgas e hortas), esgotos domiciliares e hospitalares, indústria química e extração mineral, dividem o mesmo espaço sem nenhuma preocupação com a contaminação do homem e com a degradação do meio ambiente. Além dos esgotos, a população faz o lançamento indevido de lixo e entulhos nos córregos, causando o assoreamento que é agravado pelo carreamento de materiais das saibreiras e pelas grandes movimentações de terra para implantação de loteamentos, culminando no transbordamento no Ribeirão das Rosas.

Conclusões

A região em torno dos bairros Santa Rita e N.Sa. Aparecida, pela aridez de sua paisagem urbana e difícil topografia, indicam pouco ou nenhum potencial de adensamento. Em contrapartida, Manoel Honório, Santa Terezinha e seus entornos, com uma boa infra-estrutura tendem a uma renovação urbana, através da substituição de residências unifamiliares por edificações multifamiliares.

Os bairros que se distribuem ao longo da MG-353 compõem uma área que pode ser adensada, devido às suas boas condições topográficas e baixa densidade demográfica. Contudo, a infra-estrutura, principalmente pela dependência à MG-353, e as limitações do atendimento de água e esgoto, requerem providências compatíveis para uma ocupação adequada. Deve-se, então, procurar uma alternativa de circulação viária.

Quanto à degradação, dessa área, são necessárias precauções para se evitar a ocupação em áreas de risco e insalubres. A elaboração de um projeto de proteção às hortas, que abastecem grande parte da população da cidade, deve ser contemplada com a retirada do lançamento dos esgotos domésticos e hospitalares dos cursos d’água.


3.3.4 Região de Planejamento(RP) Linhares

Estruturação Espacial

A região tem como vetor principal o Córrego do Yung, um dos afluentes do Rio Paraibuna, onde ao longo do seu curso foram se formando os bairros que compõem esta RP (Mapa 07).

Duas formas distintas de ocupação estruturaram seu espaço urbano: de um lado, a ocupação mais antiga das áreas planas que foi se adensando ao longo do tempo, deixando livres somente as encostas íngremes que caracterizam o seu perfil morfológico; de outro lado, à medida que ocorre a consolidação desta ocupação, as camadas médias e baixas da população vão sendo “expulsas”, procurando localizar-se o mais próximo possível destas áreas, ocupando as encostas íngremes de forma cada vez mais intensa, num contexto típico de periferização.

Em decorrência dessa forma de assentamento, a RP Linhares apresenta uma estrutura urbana já consolidada e caracterizada por uma ocupação bastante adensada sobre uma malha viária estreita e curvilínea, em busca de menores declividades. Observam-se vias de penetração ocupando os vales e conectando-se aos eixos do vale principal (Av. Sete de Setembro e Av. Brasil). Os efeitos de sua proximidade com o Centro repercutiram sobre esta região fazendo com que ela fosse, em grande parte, asfaltada, passasse a ter coleta de lixo, abastecimento de água, rede de esgoto, transporte coletivo e implantação de equipamentos públicos de uso coletivo. Se essas melhorias, por um lado, beneficiaram a população local, causaram, por outro, certa valorização imobiliária, levando a trocar suas moradias em áreas planas e infra-estruturadas, por novos sítios menos favorecidos na própria RP. O processo de periferização encontra-se representado no Mapa 07, que revela que as 15 áreas de assentamento subnormal identificadas distribuem-se regularmente ao longo desta RP. Sua população congrega 37.379 habitantes (1991), o que representa 9,90% do total do município.

Com uma área total de 915,01 ha, a densidade demográfica bruta é de 40,85 hab../ha, passando para 78,90 hab../ha quando se considera a área líquida. Há predominância de níveis de densidades populacionais médios nos limites com o Centro. Existem cerca de 547 famílias em assentamentos subnormais nesta RP.

Atividades Econômicas

Sob o prisma do nível de atividade, nota-se certa homogeneidade, sugerindo forte predominância de regiões residenciais. Um exame mais detido, porém, mostra heterogeneidade entre as regiões, com a presença de importantes núcleos comerciais, como São Bernardo, Vitorino Braga. São bastante significativas as atividades de prestação de serviços, sendo mais destacadas na Rua Vitorino Braga, Av. Sete de Setembro, Av.Brasil e as ruas que interligam as duas avenidas mencionadas.

A atividade industrial comporta, basicamente, empresas de pequeno porte.

A vinculação com o Centro também se reflete em termos das atividades econômicas, pois nesta RP reside grande parte dos trabalhadores no comércio e os prestadores de serviço que lá trabalham.

Infra-Estrutura

Há homogeneidade no tocante ao saneamento básico, com índices aproximados de 95% nos serviços de abastecimento de água, rede coletora de esgoto e coleta de lixo. O Bairro Linhares apresenta índices mais baixos com 84,30%, 74,50% e 83,80%, respectivamente, enquanto em Cesário Alvim, São Bernardo, Vitorino Braga, e Grajaú, estão próximos de 100%.

O lixo é coletado em grande parte da RP, mas por dificuldade de acesso aos pontos altos, ocorre o despejo de resíduos em lotes vagos e calhas de córregos.

O consumo residencial de energia elétrica corresponde a 79% do total da RP, significando 37 kwh/hab.., valor bem abaixo da média geral da cidade que é de 53kwh/hab..

O sistema viário da região é quase totalmente pavimentado. Existem muitos pontos de estrangulamentos, como a Rua Diva Garcia, no Linhares mas, em geral, as vias são muito estreitas e algumas têm declividades acentuadas. Particularmente, a Rua Diva Garcia é a mais problemática e sua situação se agrava nas proximidades de Linhares, pela ocupação que está se formando à sua margem, e pelo intenso tráfego de caminhões devido à operação das saibreiras, pedreiras e hortas da região. No entanto, o transporte urbano na RP é satisfatório.

As grandes declividades aliadas à alta taxa de impermeabilização, acentuam a necessidade de ampliação das redes de captação pluvial, em parte comprometida pelo assoreamento em alguns trechos.

Uso e Ocupação do Solo

A forma de apropriação do espaço urbano rebate-se num uso do solo de relativa diversificação em meio ao predomínio residencial. Prevalece o uso comercial/serviço e, em menor escala, o industrial ao longo da Av. Brasil (limite da RP Centro), bem como no interior dos bairros em suas ruas principais.

O uso residencial é constituído de edificações de 1 e 2 pavimentos com alguma incidência de prédios de 3 e 4 pavimentos, assentados normalmente em lotes de pequenas dimensões. A RP possui como referencial paisagístico o Mirante do Morro de São Bernardo, elemento de potencial valorização e turística que proporciona uma bela vista sobre o vale e a encosta do Morro do Imperador.

Observa-se a implantação de alguns loteamentos para residências de classe média, como Jardim do Sol e Bosque dos Pinheiros. No entanto existem, também, ocupações subnormais, estando algumas em áreas de risco ou insalubres, sem infra-estrutura instalada, onde a população vive em precárias condições.

No Linhares, e em direção à Fazenda do Yung, são cultivadas hortaliças que abastecem grande parte da população da cidade, e há extração mineral diversificada (saibreira e pedreira). A penitenciária Linhares, a FEBEM e o Hospital para Toxicômanos, também estão instalados neste bairro.

A legislação atual prevê um médio adensamento para a área com a possibilidade do uso comercial e de serviços de caráter local (bairro), e indústria de pequeno porte destinada à confecção e à alimentação. Uma exceção é verificada nos zoneamentos de comércio, onde a possibilidade de uso de atividades prestadoras de serviço de maior porte, bem como de indústrias de até 2.000 m2 de pequeno ou médio potencial poluente, é fato preocupante devido à infra-estrutura instalada, às condições viárias e ao inconveniente de estimularem a expansão e o adensamento. Entretanto, dado o grau de alta consolidação, observa-se na pesquisa de habite-se uma diminuição da tendência de adensamento, com algum aumento nas áreas periféricas onde ainda há oferta de lotes vagos. A situação descrita denota uma região com pouco ou nenhum potencial de adensamento.

Condições Sociais

Embora possuindo uma ampla faixa adjacente ao Centro, a RP Linhares difere, em termos sócio-econômicos, significativamente deste, sendo composta por bairros de baixa renda, apresentando renda média dos chefes de família de 2,12 salários mínimos. Destes, a maior parte (62,2%) recebe até 2 salários mínimos, revelando uma grande homogeneidade na RP Linhares.

Além disso, é a região de maior incidência em números relativos de moradias em núcleos subnormais totalmente carentes de infra-estrutura, sendo que muitos dos seus moradores vivem de subempregos ou são desempregados, destacando-se as ocupações de Três Moinhos situada no Linhares.

Apesar de contar com oito unidades de saúde, os moradores de algumas áreas que estão mais próximas do centro, têm melhor acesso ao sistema central de saúde. Pertence, também, à RP Linhares, o Hospital Dr. João Felício, que atende pelo SUS.

O atendimento por estabelecimento de ensino é satisfatório, contando com 15 escolas municipais, sendo que 7 destas oferecem curso supletivo de 1ª a 4ª séries, e apenas uma de ensino fundamental e ensino médio, no Bairro JK. No Bairro Linhares existe um CAIC - Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente, com cursos profissionalizantes; no Bairro São Benedito, há uma Escola Curumim, de atividades culturais e de lazer.

São raras as áreas de lazer e recreação disponíveis na RP, haja vista, também, a tendência de ocupação das escassas áreas livres com equipamentos públicos e/ou outros usos. Verifica-se, contudo, alguns campos de futebol que servem, tão somente, aos praticantes deste esporte. A Reserva Biológica do Poço D’Antas, próxima a esta RP, sendo fechada à visitação, não se constitui numa área de lazer.

Condições Ambientais

Pelas características geomorfológicas e processos de parcelamento e de ocupação do solo inadequados, existem, distribuídas na RP, várias áreas de risco que se somam à precariedade das condições de vida da população.

O baixo padrão de habitação, a invasão de terrenos públicos e particulares e a poluição de córregos, estão entre os problemas enfrentados por esta RP, caracterizada, em parte, por morros e áreas sujeitas às inundações, principalmente devido à inexistência de correta captação das águas pluviais. O lixo é coletado na parte baixa, mas esta medida não evita a utilização de terrenos baldios como destinação final, agravando a situação. Em muitas residências há água de poços e os moradores criam pequenos animais. No Vitorino Braga a problemática sanitária é de outra natureza: embora contando com infra-estrutura básica, a crescente impermeabilização do solo, e o assoreamento do Córrego Yung, vêm acarretando graves inundações. Na temporada das chuvas, e não suportando os lançamentos de dejetos, o curso extravasa e suas águas correm entre as residências.

Representando uma grave questão ambiental para o Município, a degradação mais preocupante da RP acontece no Bairro Linhares, ao longo das Ruas Diva Garcia, Ângelo Biggi e José Cirilo, onde as extrações minerais, em atividade ou abandonadas, são responsáveis pelo assoreamento do Córrego Yung, pela devastação vegetal da região, bem como, pelo lamentável impacto visual.

A devastação da RP é marcante, sendo que apenas, São Bernardo e Linhares com índices acima de 24 m2/hab.. atendem ao índice estabelecido pela OMS (12m2/hab..).

A ocupação crescente registrada na Fazenda do Yung é um fator preocupante dada a possibilidade de contaminação dos cursos d’água, utilizados para irrigação das hortas.

Conclusões

A situação ambiental, somada à ocupação consolidada, à infra-estrutura descrita e à aridez da paisagem urbana, indicam que a região tem pouco ou nenhum potencial de adensamento. Há poucas áreas ainda desocupadas, em geral com altas declividades.

As ocupações nas encostas íngremes configuram uma situação tão preocupante que fazem deste Setor o prioritário para receber programas de prevenção, recuperação e estabilização de áreas de risco sujeitas a deslizamentos.

Como já demonstrado na Carta de Aptidão para Assentamentos Urbanos, o Poder Público deverá ser rigoroso na aprovação de novos loteamentos e concessão de alvará para novas construções, resguardando a utilização de áreas impróprias.

Ao longo do Rio Paraibuna, nota-se uma ocupação antiga, parcialmente degradada e até subutilizada, incompatível com a importância e o potencial desta área. A renovação urbana associada à revitalização trará grandes benefícios a toda a RP, principalmente impulsão econômica.

A carência de áreas de lazer foi diversas vezes apontada. Assim, a ampliação e recuperação dos equipamentos existentes são possibilidades reais para incrementá-las. A implantação de “ruas de lazer”, deve ser estudada para as regiões desprovidas de espaço físico, pois a experiência deste projeto vem sendo bem sucedida em alguns bairros.

A implantação de centros culturais municipais, voltados à arte e música, principalmente, é uma reivindicação da comunidade local, perfeitamente coerente face o grande contingente populacional assentado, que pelo próprio padrão sócio-econômico predominante, não tem acesso a essas atividades ofertadas pela iniciativa privada.


3.3.5 Região de Planejamento (RP) Lourdes


Estruturação Espacial

A RP Lourdes é estruturada pela BR-267, pelo leito da Estrada de Ferro (RFFSA), pelo Ribeirão Marmelos (afluente do Paraibuna), que possuem trajetos confluentes e pela Av. Francisco Valadares que se estende até a estrada União e Indústria, acompanhando o traçado do Rio Paraibuna (Mapa 08).

O seu contingente populacional é de 31.085 habitantes, com uma densidade demográfica bruta de 18,89 hab./ha que sobe para 54,84 hab./ha em termos de densidade líquida. Porém esta é uma RP que apresenta bairros com densidade muito alta como Olavo Costa (145,76 hab./ha) e Furtado de Menezes (125,18 hab./ha) e áreas com reduzida população como Floresta (13,04hab./ha). Os bairros citados anteriormente, que apresentam níveis mais altos, são mais próximos da RP Centro, exceto o Bairro Santo Antônio que apresenta densidade líquida de 71,11 hab./ha. A RP é uma das que tem maior número de famílias em assentamentos subnormais, com aproximadamente 6.000 pessoas.

Cabe ressaltar, em termos de estruturação espacial, a influência que a RP exerce sobre a localidade de Usina Quatro, situada no Bairro Graminha, pertencente a RP Santa Luzia. Este possui relação bem mais estreita com esta RP, devido à sua posição geográfica nas proximidades de Retiro e à atração por atividades comerciais e de serviços.

Atividades Econômicas

Sob o prisma de atividades, nota-se certa homogeneidade com forte predominância do uso residencial. Um exame mais detido porém, mostra heterogeneidade entre as regiões, com a presença de importantes núcleos comerciais como Nossa Senhora de Lourdes e Vila Ideal. O consumo de energia elétrica do setor industrial denota-se importante nos bairros Floresta, Retiro e Vila Ideal com 62,04%, 60,59% e 20,29% respectivamente. Cabe mencionar a presença da Fábrica de Tecidos São João Evangelista, no Bairro Floresta que - apesar da conjuntura de crise que assola o setor têxtil, em geral, emprega moradores dos bairros próximos. Além disto, esta fábrica contribui sensivelmente para o índice de consumo de energia elétrica, o setor industrial do bairro.

Infra-Estrutura

No tocante ao saneamento básico observa-se elevados índices nos serviços de abastecimento de água, rede coletora de esgoto e coletora de lixo, superior a 85%, sendo que em Furtado de Menezes os índices estão próximos a 100%.

O abastecimento de água dos Bairros Retiro, Jardim Esperança e Floresta é feito das seguintes formas: através de água canalizada pela CESAMA, que a retira do subsolo através de poço artesiano, mantendo reservatório sob sua responsabilidade, através de poço próprio em algumas casas; na terceira situação , uma parcela da população utiliza água de reservatórios que não dispõe de tratamento e estão sob a responsabilidade de várias instituições. No Jardim Esperança há um reservatório sob a responsabilidade da Sociedade Pró-Melhoramentos e em Floresta um outro cuja manutenção é assumida pela fábrica local.

Floresta é o bairro que tem os mais baixos índices (66,30%), de domicílios com o lixo coletado, 58% dos domicílios dispõe de abastecimento de água pela rede pública e 46,50% destes possuem coleta de esgoto sanitário.

As áreas destes bairros que concentram população contam com rede de esgoto, embora os despejos sejam lançados nos córregos mais próximos, tendo como destino final o Ribeirão Marmelos, coletor da rede hídrica da região.

A coleta pública de lixo, três vezes na semana, não impede os freqüentes despejos em terrenos baldios, córregos e margens da linha férrea, o que contribui para a proliferação de ratos e insetos.

O sistema viário é quase totalmente pavimentado face à topografia acidentada e, não contando com condições para tanto, a rodovia BR-267 desempenha um duplo papel de eixo viário intermunicipal e via coletora local. A Alameda Ilva Mello Reis, via de interligação com a BR-267, apresenta condições precárias em função do seu traçado com curvas e rampas acentuadas e da sua conexão com ruas estreitas do Bairro Santo Antônio, o que impede o tráfego pesado.

Em Retiro, a iluminação pública e a pavimentação são satisfatórios na maioria das vias, mas há deficiência de passeios e necessidade de ampliação da rede de captação pluvial. Já em Floresta o calçamento das ruas é do tipo pé-de-moleque e inexiste captação de águas pluviais.

Uso e Ocupação do Solo

A forma de apropriação do espaço urbano indica uma relativa diversificação em meio ao predomínio residencial. Observa-se o uso comercial/serviço em menor escala e pequenos seguimentos de uso industrial.

O uso residencial é constituído de edificações de 1 e 2 pavimentos com alguma incidência de prédios de 3 e 4 pavimentos, assentados normalmente em lotes de pequenas dimensões. Existem muitas áreas de ocupações subnormais, estando algumas em áreas de risco ou insalubres, sem infra-estrutura instalada, onde a população vive em precárias condições.

A relativa desarticulação dos bairros Jardim Esperança, Retiro e Floresta com o restante da cidade lhe confere aspectos rurais evidenciados, seja pelo processo de granjeamento, seja pela presença de numerosas áreas de propriedade particular ainda desocupadas, ou, ainda, pela carência ou precariedade dos equipamentos e serviços próprios de atividades urbanas. No Loteamento Florestinha ainda predomina o aspecto semi-rural, dado pelas granjas de maior porte ou sítios para lazer, onde são observadas a criação de animais domésticos (suínos, aves e etc.), e a plantação de hortas caseiras e árvores frutíferas.

No Bairro Floresta, afora os dois pequenos núcleos urbanos, o parcelamento proporciona lotes de maiores dimensões, onde são desenvolvidas as atividades semi-rurais referidas.

O Bairro Retiro é um pouco mais adensado, possui quadras internas ao eixo viário (BR-267), com lotes de menor dimensão, ocupados normalmente por habitações unifamiliares de média-baixa renda.

O Bairro Granjas Bethel caracteriza-se por apresentar um uso residencial de pequenos lotes e área de granjeamento. Ao longo da antiga estrada União Industria, configura-se uma região de uso misto (residencial, com algumas edificações do ramo industrial e de serviços como motéis, depósitos de equipamentos, etc.). Cabe assinalar que este bairro serve-se de equipamentos, comércio e serviços de outros bairros, sobretudo Retiro.

Condições Sociais

A parcela dos chefes de família que recebem até 2 salários mínimos é significativa, sendo os bairros com maiores índices o Olavo Costa com 88,92%, Santo Antônio com 72,71% e o menor índice Nossa Senhora de Lourdes, com 49,87%. As atividades profissionais concentram-se nos setores industrial (com destaque para a Fábrica de Tecidos São João Evangelista), comercial, serviços de pequeno porte, e mão-de-obra informal (faxineiras, lavadeiras, domésticas, etc.).

Tais dados explicam o considerável número de áreas subnormais identificadas na região. Estima-se que a população assentada em áreas subnormais corresponda a 19,30% da população total da RP; nela está localizada duas áreas com um número significativo de famílias: Vila Olavo Costa com 401 famílias e Solidariedade com 201 famílias. O Poder Público vem atuando nessas áreas com iniciativas voltadas à titulação de lotes, implantação de saneamento básico e iluminação pública. Todavia, são necessárias providências no sentido de melhoria de qualidade urbanística das comunidades, como a dotação de equipamentos públicos de uso coletivo e a melhoria dos acessos.

Quanto à educação, seis escolas municipais e três particulares atendem as crianças da RP Lourdes. Entretanto, de acordo com os dados do IBGE/91, os índices de analfabetismo nos bairros Retiro e Floresta de 28,30% e 19%, respectivamente, são considerados altos.

Mesmo possuindo Unidades Básicas de Saúde, a RP apresenta altos índices de doenças de veiculação hídrica, principalmente hepatite e verminoses, em bairros como Retiro e Floresta.

A RP é carente de espaços públicos para lazer, verificando-se contudo, alguns campos de futebol que servem tão somente aos praticantes deste esporte. Uma única área com destinação para praça pública, junto à Escola Olinda de Paula Magalhães, atende, pela proximidade, apenas ao Bairro Jardim Esperança.

Condições Ambientais

Caracterizada por uma topografia bem acidentada, quase todo o seu território é cortado pelo Rio Paraibuna e pelo seu afluente Ribeirão Marmelos. Na RP existem várias áreas de risco que se somam à precariedade das condições de vida da população. As condições ambientais nem sempre se apresentam boas nas várzeas, principalmente ao longo do Ribeirão Marmelos, que recebe os lançamentos industriais (tinturas e poluentes químicos) e esgotos domiciliares. A movimentação inadequada de terra provoca a ocorrência de assoreamento do canal do Ribeirão, possibilitando inundações ao longo do seu curso, agravado, ainda, pela existência de moradias nas margens.

Algumas regiões de encostas íngremes já estão ocupadas, e há registros de deslizamentos nas partes altas de Jardim Esperança e Vila Santo Antônio. Devido à predominância de sítio montanhoso, de relevo acidentado, a ocupação desordenada pode acarretar novas áreas de risco.

Dada a real possibilidade de existência de um potencial de água subterrânea, devido à falha geológica ao longo do Ribeirão Marmelos, há preocupação quanto à atividade ou ocupação que venha a contaminar o seu lençol profundo.

A devastação da RP é acentuada, sendo que apenas quatro bairros atendem o índice estabelecido pela OMS (12 m2/hab.): Santo Antônio, Nossa Senhora de Lourdes, Floresta e Retiro com 46,56 m2/hab., 24,66 m2/hab., 1.096,49 m2/hab. e 17,78 m2/hab. respectivamente.

Conclusões

A topografia acidentada da RP e a ocupação consolidada dos bairros mais próximos ao Centro, indicam que estes têm pouco ou nenhum potencial de adensamento. Por outro lado, nos Bairros Retiro e Floresta de relativa desvinculação com o resto da cidade, carência de equipamentos públicos obriga a sua comunidade a grandes deslocamentos, em busca de determinados serviços. Por este motivo, a ampliação dos serviços de infra-estrutura, principalmente o fornecimento de água, deve ser estudada de forma a atender a demanda da região.

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