3. Análise Física e Sócio-Econômica


3.1. A Evolução Urbana e Vetores de Crescimento

3.1.1. A evolução da mancha urbana de Juiz de Fora e seus fatores determinantes

Refletindo sobre o crescimento urbano, Fonseca Netto2 deixa bem claro que geralmente “é a partir das causas motivadoras dos agentes - públicos e privados - que atuam nos empreendimentos urbanísticos” que podemos compreender a ação dos fatores físico-territoriais (aqui chamados, preferencialmente, ambientais) nas transformações do tecido urbano. Isto ocorre, às vezes, até pela simples implantação de alguma atividade ou facilidade econômica.

Evidentemente os fatores fisiográficos e ambientais não tiveram um papel secundário na formação de Juiz de Fora. Apenas esses fatores são neutros e, na verdade, pode-se considerar que são as ações humanas que dirigem a urbanização da cidade e as condições específicas assumidas pela mancha urbana, sua forma, evolução e dotação de serviços públicos. Pode-se mesmo dizer que a própria escolha do sítio tenha sido a primeira dessas ações humanas, e, embora o sítio de implantação da cidade e as condições de favorabilidade / desfavorabilidade geológica e topográfica do mesmo sejam dadas, importa mais o que se fez / faz-se a partir delas. Adicionalmente podem ser nomeados alguns fatores puramente antrópicos que influem ou influenciaram a urbanização.

Inicialmente, podemos observar que a mancha urbana de Juiz de Fora ocupa apenas 93,5 km² (9.355,36 ha) aproximadamente, ou seja, pouco mais de 23% da área urbana legal do município, o que deixa desocupados quase 77% do espaço legalmente considerado urbano. Isto, porém, não significa que toda a mancha urbana esteja ocupada e muito menos que esteja homogeneamente ocupada, o que fica claro numa análise simples da distribuição demográfica intra-urbana. Registre-se que, embora só uma parte desta mancha seja definida a partir de fotografias aéreas, (que seriam as fontes de dados mais fidedignas), a representatividade dos mapas disponíveis pode ser admitida sem dificuldade e, com base nela, pode ser arriscada uma classificação da forma (imagem) da cidade3.

A ilustração A (evolução histórica da mancha urbana) mostra que a sua forma foi originalmente linear, “resultado da topografia natural que restringe o crescimento, ou o resultado de uma espinha de transportes”4. Esta linha traçada pelo principal eixo de transportes original veio posteriormente a sofrer um processo de, por assim dizer, alargamento, induzido pelos vários caminhos de penetração que parecem desejar configurá-la como estrela, “radioconcêntrica com espaços abertos entre os corredores de desenvolvimento que se estendem em projeção”5. Há até hoje inúmeros espaços abertos no interior da mancha, majoritariamente devidos a considerações de ordem topográfica e ambiental em geral. Seja como for, ainda falta muito para que se possa descrever a mancha urbana de Juiz de Fora como sendo a de uma legítima estrela, ainda que, sem dúvida, estejam configurados inúmeros vetores de crescimento em função dos citados caminhos de penetração.


A mensuração geométrica da circularidade da forma urbana, como proposto por Gibbs6, pode colaborar para resolver a dúvida, se ela persistir. Para Juiz de Fora esta medida atinge a aproximadamente 45, e a interpretação deste número é de que a área ocupada pela cidade é 45% da que ocuparia se a mancha urbana fosse perfeitamente circular e tivesse um diâmetro igual ao da maior distância considerada no cálculo. Pode-se então usar este índice como demonstração de que a mancha urbana de Juiz de Fora é concentrada numa proporção de menos que a metade da possível, e, sendo assim, não pode ser bem referida, nem a uma linha, nem a uma estrela.

É preciso dizer que mesmo os 93,5 km² de superfície ocupados pela mancha urbana, às vezes densa, às vezes esparsamente como seria de esperar, não são, como ocorre de resto em todas as cidades brasileiras, realmente urbanizados. Este fato demanda uma melhor especificação da área realmente urbanizada e dotada de serviços públicos e, para isto, foi proposto um pequeno exercício, cujo método tem reconhecidas limitações, mas que poderá ter também o mérito de fornecer um número capaz de traduzir com simplicidade a relação entre a mancha dita urbana e a porção desta que reúne um mínimo de condições para ser assim considerada.

Adotou-se como indicador deste mínimo de condições o índice de saneamento básico usado para fins de cálculo dos índices de qualidade de vida das Regiões Urbanas, em 1996, de acordo com uma metodologia recomendada pela ONU. De acordo com esta indicação apenas 4 dos bairros da cidade alcançam o índice 1,000 no quesito em pauta (Vale do Ipê, Alto dos Passos, Boa Vista e São Dimas), havendo 21 outros cuja pontuação é superior a 0,990, outros tantos entre 0,900 e 0,990 e 10 que estão entre 0,850 e 0,950. As 25 áreas restantes estão abaixo de 0,850, e os menores índices foram obtidos na RU Represa com 0,094 e em outras “áreas não identificadas”, cujo índice é apenas 0,083. O que se propõe para avaliar sumariamente a superfície realmente urbanizada da cidade e compará-la à mancha urbana, área urbana legal, etc., é ponderar as áreas “urbanizadas líquidas” pelo seu índice de saneamento ambiental. Como este vai sempre até 1,000 isto implicaria dar um desconto por conta das áreas não ou mal saneadas. De acordo com este raciocínio a área realmente urbanizada de Juiz de Fora corresponde a 72 km², coincidentemente 77% da mancha urbana, proporção idêntica à da área urbana legal não ocupada pela mancha urbana. Isto indica que, na verdade, apenas 17,7% da área urbana legal é realmente urbanizada.

Por outro lado, o mapa no. 08 do Volume II – Diagnóstico - contém algumas características ambientais que agem sobre a cidade. Com base em informações e critérios geológicos, geomorfológicos e geotécnicos, indicam-se nele os terrenos adequados e os impróprios à urbanização (nas áreas atuais legais urbana e de expansão urbana). Parece interessante ressaltar que apenas uma porção mínima de mancha urbana atual se situa em áreas que hoje julgaríamos impróprias à urbanização.

Devem ser registrados também os principais fatores antrópicos agindo diretamente sobre a configuração geral ou a forma da cidade, pois, como foi dito de início, não restam dúvidas de que os fatores fisiográficos e ambientais são neutros, devendo ser atribuída ao Homem a única responsabilidade pela evolução urbana. Pode-se observar entre esses fatores alguns de ordem basicamente econômica que, além de serem fundamentais para a importância regional de Juiz de Fora, têm orientado também e claramente a implantação e distribuição da mancha urbana.

Em primeiro lugar ressalta, é claro, a ferrovia, que produziu em Juiz de Fora um exemplo típico de ação da força de centralização (Lobato, 1993), criando a área central da cidade a partir da estação principal. De fato, a Rua Halfeld, que se situa em frente a ela é, certamente, a principal referência comercial da cidade até hoje. Além disto, esta rua marca indiscutivelmente o centro da cidade, se usarmos a palavra centro no sentido de pólo ou origem das referências. Ao mesmo tempo que lugar tradicional de residência, mesmo nas condições urbanas de hoje, a Halfeld concentrava no seu percurso até algum tempo atrás, uma enorme massa de serviços (inclusive a Prefeitura de Juiz de Fora). Mesmo hoje em dia, quando se admira o popular calçadão, reservado aos pedestres, de um ponto de vista mais ou menos afastado, a densa massa humana que circula pelo local a qualquer hora do dia, não pode deixar de causar uma forte impressão no observador.

Além disto, a ferrovia e, mais até que ela, as vias de penetração rodoviária como a antiga Estrada União e Indústria (ou o que resta dela com este nome), as BR-040 e BR-257, a MG-353, a Av.JK, a Av. Rio Branco e a Av. Independência são os principais vetores centrípetos da mancha urbana, como não deixa dúvida o exame do mapa indicativo da evolução temporal da mancha urbana desde 1883.(Ilustração A)


Convém ainda registrar a existência de grandes áreas reservadas que, além de colocarem limites claros à expansão urbana em certas direções, influenciam a modelagem da cidade na medida em que criam externalidades negativas, ou amenidades atraentes para o estabelecimento humano ao seu redor. Não há dúvida de que esses constrangimentos/atrações foram crisdos socialmente, mas se tornaram quase tão difíceis de remover ou modificar como a fisiografia ou o clima, constituindo hoje forças de coerção muito importantes para a evolução morfológica da cidade. Pode-se indicá-las basicamente como incluídas nas seguintes classes: áreas florestadas, lagos (represas), áreas militares e áreas de grandes equipamentos sociais.

No passado, as áreas florestadas foram removidas com excessiva facilidade, mas, a par de existir hoje uma legislação protetora e uma consciência mais ativa da necessidade de preservação dos remanescentes das reservas naturais da área, há também que considerar um relativo desinteresse de destruí-las em proveito da agropecuária. Esta expectativa, contudo, pode se tornar balda se as circunstâncias conspirarem para isto, como demonstram as constantes denúncias de agressão humana contra os lagos mais importantes da cidade, como as represas João Penido e de São Pedro, pois, ainda que façam parte do sistema de abastecimento da cidade, essas constantes ameaças não deixam abandonar a hipótese de que as reservas de vegetação venham eventualmente a ser destruídas se condições institucionais para garantir a sua integridade não forem tomadas desde logo.7

No que se refere às áreas militares, a de maior dimensão é a situada na área da Remonta e, na verdade, deve ter dimensões ainda maiores que as indicações constantes nos mapas disponíveis. Este tamanho e o fato de o Exército ter uma estrutura pouco afeita à realização de operações imobiliárias, têm gerado uma tendência a que a área permaneça relativamente intocada no horizonte temporal do Plano Diretor, mas também neste caso é preciso tomar o cuidado de qualificá-la de parcial porque já se viu a realidade brasileira jogar no lixo da história inúmeras garantias deste tipo.

Finalmente há alguns equipamentos urbanos de grande porte que são capazes de barrar ou alternativamente, estimular o desenvolvimento da cidade na sua direção ou na sua periferia. Neste sentido, pode-se citar o Parque Municipal da Lajinha, o campus da Universidade Federal de Juiz de Fora e, até certo ponto, também o aeroporto da cidade. Se os dois primeiros são uma garantia bastante efetiva da preservação de ambientes privilegiados que não se pode prever sejam removidos, o outro apresenta, ao contrário, algumas externalidades negativas como o barulho dos aviões e os riscos apresentados pela sua decolagem/aterrissagem. Deve ser observado que, embora a existência do aeroporto tenha induzido a criação de grandes loteamentos na área, sua ocupação não se deu tão intensamentente como se supunha, devendo-se este fato provavelmente a externalidades negativas. Isto, é claro, não garante que esta seja uma tendência impossível de ser revertida no futuro.


3.1.2 Considerações demográficas e vetores de crescimento
(ilustração B)

De acordo com o Recenseamento Geral de 1991, habitavam o município de Juiz de Fora 385.966 pessoas. Com relação a 1970 a população havia tido um acréscimo de 61,8% dos 238.510 que possuía, então, o que significava uma queda notável de mais de 1/3 da taxa anual que vigorara nos vinte anos anteriores, ou seja, da taxa de 3,73% para o nível de 2,4% compostos ao ano.


I. Evolução demográfica: envelhecimento da população

Ora, populações variam devido a mudanças na natalidade, na mortalidade ou nas migrações, as variáveis mais significativas do crescimento demográfico urbano, que já na década de 1950, Kingsley Davis8 discutiu admiravelmente. Devemos observar que mudanças nessas variáveis ocorrem principalmente por efeitos de fatores de ordem cultural, embora os de ordem econômica também tenham peso considerável.

O fator mais atuante sobre a natalidade é provavelmente a introdução e aperfeiçoamento do planejamento familiar, sem dúvida um fenômeno basicamente cultural. Quanto à redução da mortalidade nas áreas urbanas, ela advém basicamente da introdução ou melhoria de sistemas de saneamento ambiental, cuja origem pode tanto ser localizada em necessidades da economia quanto no aperfeiçoamento cultural da valorização da vida humana.

Já no que diz respeito às migrações, em especial as migrações de origem rural para as cidades, o mais provável é que as migrações sejam desencadeadas e dirigidas tanto por fatores econômicos de expulsão dos camponeses dos seus locais de origem quanto por outros culturais, ligados à atração pelas cidades. Importa mais observar o resultado da ação desses fatores sobre a redução da taxa demográfica de crescimento anual em Juiz de Fora que especular sobre a importância particular de cada um no processo.

Usando os mesmos números de que Davis lançou mão para exemplificar (explique-se que ele se referia à Europa e Estados Unidos de há mais de um século, mas a aritmética envolvida não mudou), quando as cidades têm um índice de mortalidade 1/3 menor e um de natalidade também 1/3 menor que as zonas rurais, elas requerem não menos de 45 migrantes/1000 habitantes para manter uma taxa de crescimento de 3% ao ano, o que só é possível enquanto a base rural for grande.
A enorme redução na taxa de crescimento demográfico, no caso, torna-se perfeitamente compreensível dentro desta lógica e, de fato, é o que vem acontecendo também em muitas outras cidades no Brasil.

Em primeiro lugar, ela corresponde a uma redução de fecundidade mais que proporcional à de mortalidade e depois ao estancamento paulatino das fontes tradicionais de migrantes. Para Juiz de Fora não é difícil demonstrar isto através de simples dados censitários (quadro 01), ainda que para analisar mortalidade e natalidade o usual seja lançar mão de boas estatísticas vitais.

O quadro indica claramente um notável envelhecimento na população da cidade desde 1970. Fica claro que no período a faixa da população que vai até os 20 anos encolheu nada menos de 11, 23%, porcentagem que foi incluída nas faixas mais velhas. Mais significativo ainda pode ser o fato de que a classe mais jovem das mais velhas (os até 39 anos) que ficaram com quase 63% do aumento entre 1970 a 1980, só obteve 42,7% na década seguinte, num aprofundamento do processo de envelhecimento.

Outro tipo de indicação relevante pode ser obtido comparando, por exemplo, a distribuição percentual das mesmas faixas etárias no município ou na cidade e no Estado de Minas Gerais como um todo. Este estudo indica que neste a faixa das pessoas até 19 anos reúne 44% (42,7% se contada só a população urbana), comparativamente aos 36,7% de Juiz de Fora. As demais faixas somam portanto 57,3% no Estado e 63,3% no município, indicando um envelhecimento relativamente maior da população juiz-forana, e o que é o envelhecimento de uma população se não o efeito conjunto da redução da mortalidade com a da natalidade?

Por outro lado, há fortes indicações de que esses fenômenos (envelhecimento, redução de natalidade e de mortalidade) advêm do avanço em Juiz de Fora do processo de urbanização. Observemos que em 1950 só 75% da população juiz-forana era urbana de acordo com o IBGE, número que cresceu para 98,5% em 1991 e também, para efeito de comparação, que no Estado de Minas Gerais como um todo, apenas 74,9% da população foi considerada urbana ainda na data do Censo de 1991. Estes números, mesmo sem mais aprofundamento, parecem indicar a existência de uma correlação positiva entre o envelhecimento demográfico da cidade e a proporção de população urbana.


II. Evolução demográfica: efeito das migrações

Entre os muitos aspectos merecedores de destaque com referência às migrações, há três que podem nos interessar primordialmente: primeiro, o volume e importância destas para o crescimento demográfico local; segundo, a origem dos migrantes e as possibilidades de prosseguimento das migrações nos volumes tradicionais; e terceiro, a composição das massas migrantes em termos de idade e sexo.

Sobre a primeira dessas questões sabe-se que, entre 1960 e 1970, 60,3% do aumento da população de Juiz de Fora ocorreu por migração e que esta proporção cresceu para 75,2% nos anos 70. Isto deu como resultado que a população municipal não natural do município aumentou de pouco mais de 35% do total em 1970 para 42% em 1980, sendo a situação atual ignorada. Todavia, como a participação relativa da população juiz-forana no Estado evoluiu paulatinamente entre 1960 a 1991 de 1,75% para 2,45% é de se supor que as migrações continuaram impulsionando o crescimento demográfico no último período.

Sobre a origem dos migrantes, a informação do Censo de 1970 era de que 80,2% dos não naturais do município tinham origem urbana, mas este número caiu para 48,4% no Censo de 1980. Por outro lado, pode ser verificado que não menos de 72% dos migrantes da década de 70 vieram do próprio Estado de Minas Gerais (mais 16%, do Estado do Rio de Janeiro, sobrando apenas 12% para todas as outras origens). É de se supor que as migrações para a cidade tenham se originado prioritariamente no sudeste mineiro, que juntamente com as áreas fluminenses próximas da divisa com Minas Gerais, são as áreas basicamente polarizadas por Juiz de Fora.

Registram-se algumas indicações de que esta fonte de fluxos migratórios para a cidade terá dificuldade para manter sozinha o ritmo de crescimento desta no futuro.

O quadro 02 indica um expressivo decréscimo da importância demográfica dos outros municípios da microrregião de Juiz de Fora na fase analisada, e isto ocorreu devido a uma redução populacional absoluta em 22 dos 31 municípios, sendo esta tendência mais sensível nos de menor população. Também o esvaziamento rural do sudeste mineiro, refletido na sua taxa de urbanização média que já atingia a ordem de 70% em 1991, confirmaria a dificuldade futura da área continuar suprindo migrantes em ritmo suficiente para manter o crescimento de Juiz de Fora às taxas tradicionais.

Poderia ser contra-argumentado que os fluxos para Juiz de Fora não são do tipo rural-urbano, mas a base do argumento carece inteiramente de comprovação empírica, pois, ainda que isto tenha ocorrido nos anos 60, o fato não se repetiu nos 70, e, não havendo dados sobre as migrações em 1991, nada se pode afirmar a respeito.

Também a possibilidade de migração intramunicipal é, há pelo menos 40 anos, muito limitada para influir expressivamente no crescimento da população da cidade. O quadro 03 revela que mesmo a transferência de toda a população dos 3 outros distritos (Rosário de Minas, Torreões e Sarandira) para a sede municipal seria pouco significativa. Já nos anos 60 teria gerado nela uma taxa de incremento demográfico da ordem de apenas 0,35% ao ano que cairia para 0,19%, se isto ocorresse nos anos 70 e para 0,15%, nos anos 80. Além destes valores refletirem a redução relativa na importância demográfica dos outros distritos, o quadro 03 permite observar também que a população de todos os distritos reduziu-se também em termos absolutos, ainda que a redução tenha sido maior entre 1970 e 1980 que na 2a. parte do período.


Não se dispõe de informações sobre a idade dos que migram, mas pode-se supor que eles sejam majoritariamente jovens. Já no que concerne aos sexos, um efeito significativo das migrações para as cidades é que geralmente resultam em um número superior de mulheres na população, o que se verifica também em Juiz de Fora. É sem dúvida a predominância numérica entre os migrantes, fenômeno originado tanto em fatores econômicos (busca de oportunidades, pelas mulheres, de trabalho) como culturais (busca de novos papéis sociais para elas), que tende a fazer o sexo feminino predominar numericamente também na população urbana. Sem dúvida, porém, este aspecto ainda se agrava por uma detectada tendência estatística de que elas tenham uma esperança de vida superior à dos homens.

Estas explicações também se confirmam plenamente em Juiz de Fora, pois, nos Censos de 1970 e 1980 podia ser verificado que eram mulheres cerca de 53% dos que viviam em Juiz de Fora há menos de 10 anos em cada ocasião. Não se dispõe de dados semelhantes para o Censo de 1991, mas, apesar de nascerem mais homens como é indicado pelas faixas etárias de 0 a 9 anos, naquela data continuava a haver 4,4% a mais de mulheres. Este dado é uma clara indicação de que até 1991 continuavam a migrar mais mulheres que homens para a cidade.



III. A população de Juiz de Fora no horizonte temporal do Plano Diretor

De acordo com as observações feitas nesta análise, não é difícil afirmar que, na ausência de fatos novos que venham a provocar impactos extremamente fortes no crescimento demográfico da cidade, os mesmos fatores que até hoje têm condicionado essa evolução continuarão a fazê-lo no futuro próximo. Ainda assim, é possível estabelecer os seguintes cenários para prever a evolução demográfica da cidade: um, em que uma projeção rígida da tendência passada se repetirá no futuro; outro, em que prossiga a redução histórica das taxas de crescimento vegetativo e de imigração para a cidade; e o terceiro em que haja uma completa reversão dessas expectativas.

Aparentemente, no concernente às estatísticas vitais, a tendência registrada em Juiz de Fora é mais que nacional, pois se registra em todos os países. E, no que diz respeito à questão migratória, mesmo que a economia nacional venha a registrar um período de grande prosperidade puxada pelos setores econômicos urbanos, não deverá se registrar mais um êxodo rural das proporções havidas em décadas passadas, de um lado devido ao esgotamento relativo das fontes de migrantes e do outro pelo caráter da atividade industrial atual, radicalmente distinta da que foi implantada em outras épocas no Brasil.

A enorme redução nos contingentes de trabalhadores necessários e a exigência de uma grande especialização para os que realmente são contratados, deverão levar à redução, também, a atratividade dos pólos industriais para as massas migrantes.

Por estas razões não parece haver necessidade de estabelecer uma hipótese de crescimento que leve em conta uma reversão das expectativas presentes. Tampouco parece ser necessário levar em conta uma redução maior ainda do crescimento urbano. Parece uma estratégia melhor adotar como base a população projetada na linha histórica de tendência, tomando no máximo a precaução de corrigi-la pela introdução do valor constante da contagem de população feita pelo IBGE em 1996.

A linha histórica de tendência de evolução da população municipal é dada pelo quadro 04.

Esta linha de tendência apresenta um coeficiente de correlação da ordem de 0,9989, ou seja a simples data pode ser responsabilizada por 99,89 % da variação do valor da população residente. A projeção rígida desses valores para 1996, 2000 e 2010 apresentaria os valores apresentados no quadro 05.

Na contagem de população feita pelo IBGE em 1996, a população residente em Juiz de Fora apareceu como sendo 424.479, ou seja, 2,14% a mais do que a projeção efetuada, o que é um desvio relativamente pequeno na dimensão populacional projetada. Todavia, se for corrigida a linha histórica de tendência pela introdução do dado observado em 1996, o coeficiente de correlação sobe para 0,9990 e a projeção para os anos 2000 e 2010 se apresenta conforme o quadro 06.

IV. Evolução demográfica da distribuição interna da população

Tão importante quanto o estudo da evolução populacional da cidade como um todo, é a análise da distribuição dessa população pela mancha urbana da cidade e da sua evolução, pois é isto o que realmente vai identificar as características mais específicas da cidade analisada. Este não é um trabalho muito fácil, pois só pode ser efetuado comparando a situação em duas datas distintas no tempo, e este é um dado quase nunca disponível, seja por não existir, seja porque as unidades intra-urbanas consideradas se modificam no tempo.

Não estando disponíveis dados compatíveis com estes em outros horizontes de tempo, qualquer análise da evolução temporal da distribuição terá que ser levada a efeito por meios indiretos, e, como já foi informado um exercício neste sentido, foi efetuado a partir dos números constantes do Plano Diretor Urbanístico da Cidade Alta (PDUCA) elaborado em 1977. Para isto a distribuição intra-urbana da população ao nível de Regiões Urbanas em 1991 foi reelaborada para compatibilizá-la à dos vetores de crescimento definidos naquele Plano.

O quadro 07 indica a forma pela qual o acréscimo populacional se distribuiu dentro da cidade nos 21 anos do período 1970 – 1991, e fica claro do seu exame que o vetor Centro, historicamente o de maior ocupação demográfica, sofreu um importante decréscimo de participação (35%), o que também ocorreu em menor escala nos vetores Sudeste (21%) e Leste (12,7%).

Em compensação, o vetor Sul aumentou tão expressivamente a sua participação (47%) que se tornou o de maior importância demográfica, sendo o crescimento proporcional da população urbanadividido entre ele (com a maior proporção) e os vetores Noroeste (que cresceu 20,6%) e Norte (12,3%). (12,3%). É interessante observar que a participação populacional do vetor Oeste (Cidade Alta) se manteve praticamente a mesma nas duas datas examinadas.

Pode ser afirmado também, ainda que apenas pelo exame dos mapas e sem o apoio de evidência matemática tão clara, que grande parte do aumento na participação do vetor Sul ocorreu pelo expressivo incremento populacional de classes de rendas baixas e médias-baixas em lugares de urbanificação cara e difícil e pela intensa verticalização nas áreas preferidas pelas classes de rendas mais altas. Fica clara assim a necessidade de estimular a distribuição demográfica para áreas mais adequadas, o que pode ser feito com um grau relativamente baixo de dificuldade.

Por outro lado, a redução da importância residencial do Centro pode acarretar conseqüências desaconselháveis para esta área (como a desertificação noturna, por exemplo), não devendo ser tomadas iniciativas capazes de aprofundar ainda mais esta situação. Um cuidado especial neste sentido será o d oferecer maior estímulo à ocupação comercial e de serviços que a residencial na área marginal ao Rio Paraibuna no seu trecho próximo ao centro da cidade.


3.2 Ordenação do Território

O Perímetro Urbano do Distrito-Sede foi delimitado através da Lei 6910/86. Este perímetro é considerado grande em relação à área efetivamente urbanizada. Apesar disto, optou-se pela manutenção deste limite por considerar que, apesar do baixo índice de urbanização em grande parte de sua área, a sua ocupação poderá ser melhor controlada estando dentro do âmbito deste Plano.

Os limites das Áreas Urbanas nos Distritos, os chamados Núcleos Urbanos, também definidos pela Lei 6.910/86, poderão ser revistos em função da necessidade de atendimento ao crescimento de sua população (Mapa 01).

As UTs (Unidades Territoriais) que dividiam a área urbana do Distrito-Sede ficam abolidas, assim como as RUs (Regiões Urbanas), dando lugar às Regiões de Planejamento (RPs) e às Unidades de Planejamento (UPs), que passam a compor os diferentes níveis de ordenação territorial abrangendo toda a área do perímetro urbano.

Na análise constante do item 3.1 foram discutidas as estimativas prováveis para a população de Juiz de Fora nos anos 2000 e 2010, que são os horizontes temporais do Plano. Também foi observada a relação de valor extremamente baixa entre a área ocupada pela mancha urbana e a área urbana legal e finalmente como se processa a distribuição da população da cidade pela sua mancha urbana.

Comentou-se então a forte determinação de que a população se distribua em Juiz de Fora em função de certos vetores que são determinados a partir dos caminhos de penetração à medida em que estes vão sendo disponibilizados. Embora no item 3.1.2 esses vetores tenham sido contabilizados apenas em número de 7 e referidos basicamente aos pontos cardeais, isto foi feito exclusivamente no sentido de facilitar sua compatibilização aos que anteriormente haviam sido identificados no PDUCA, 1977. Estes, por sua vez, haviam sido definidos em vista da preocupação bastante limitada de determinar uma meta demográfica coerente para a sua área de estudo.

A questão que se coloca agora é mais ampla: presumir a provável evolução da estrutura urbana da cidade no horizonte temporal deste Plano Diretor.

Para atingir este objetivo, embora a conceituação geral dos vetores de crescimento permaneça a mesma, foi necessária uma análise bastante mais aprofundada da presente mancha urbana, que levasse em consideração não apenas as direções e sentidos que historicamente determinaram a ocupação do espaço juiz-forano, mas também os que estão agindo atualmente e os que podem ser considerados como atuantes no futuro. Com base nisto, foram identificados os principais vetores de crescimento da cidade, representados no diagrama da ilustração B, e que determinaram as 12 regiões de planejamento que devem constituir a principal base territorial para o planejamento da cidade (Mapa 02).

Inicialmente as Regiões de Planejamento foram concebidas como agregações de Regiões Urbanas, que é o conceito de unidade espacial atualmente em uso, mas logo foi verificado que o próprio conceito de Região Urbana como unidade assemelhada ao bairro estava superado. Ficou evidenciado ser preferível tomar como unidade territorial básica o bairro, tal como as comunidades o reconhecem, corrigindo seus limites quando for o caso, para fazê-los corresponder a unidades censitárias existentes (setores censitários) e, com isso, possibilitar a montagem de séries históricas baseadas nos dados do censo.

O bairro é a unidade territorial que o habitante da cidade tem mais facilidade de sintonizar e reconhecer, mas apresenta a dificuldade de, se for levado às últimas conseqüências, retalhar a cidade quase ao nível de loteamento ou de rua individual. Assim, foi necessário adotar para o Plano Diretor um conceito operacional de bairro, chegando-se à idéia de que, além de ser reconhecido como tal pelo morador, também o seja pela sociedade em geral. Assim, ele conta, geralmente, com uma comunidade organizada, transporte coletivo a ele dirigido, comércio local de alguma expressão, escola, etc. Para uso operacional foram adotados 111 bairros, que correspondem em grande parte às 81 antigas Regiões Urbanas, algumas das quais, contudo, subdivididas para dar conta de diferenças locais expressivas e incorporando também áreas que as antigas Regiões Urbanas não abrangiam, como é o caso das localidades de Igrejinha e Filgueiras.

Evidentemente, no interior de cada Região de Planejamento há áreas de distintas conformações topográficas e configurações quanto ao tipo e densidade da ocupação, facilidades de infra-estrutura, traçado dos lotes e até características arquitetônicas das construções. Por esta razão, cada Região de Planejamento foi considerada como sendo composta de um número variável de Unidades de Planejamento, definidas por uma condição de homogeneidade relativa das tipologias referidas (Mapa 03).

Na verdade, os bairros assim caracterizados, possuem uma certa unidade morfológica,fornecida por algum fator de unificação tal como a topografia, a forma de ocupação e uso do solo, etc. Esta unidade morfológica se dá também entre bairros vizinhos e este foi o critério utilizado para agregar os bairros em Unidades de Planejamento. Segue-se que, enquanto menor célula do espaço urbano, o bairro possuirá ao mesmo tempo as duas características: de um lado ele se articulará a um certo vetor urbano (Região de Planejamento) e, de outro, a outros bairros com características morfológicas específicas (Unidade de Planejamento).

O quadro 08 e os mapas 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15 indicam as 12 Regiões de Planejamento, sua divisão em Unidades de Planejamento e os bairros que as compõem.


3.3 Caracterização das Regiões de Planejamento

A análise da estrutura espacial da cidade mostrou Regiões de Planejamento com especificidades e peculiaridades distintas, cuja compreensão permite o entendimento, também, de seus conflitos e potencialidades. Para entender melhor as suas características foi feita uma descrição individual destas RPs, obedecendo a um roteiro comum, à exceção da RP Centro, que devido ao seu grau de complexidade recebeu um tratamento específico.


3.3.1 Região de Planejamento (RP) Barreira


Estruturação Espacial

Situada no extremo norte do Município (Mapa 04), distante da área urbana, esta região tem apresentado vocação industrial. Outros fatores importantes para o seu desenvolvimento é a presença da BR- 040 cortando-a em toda a sua extensão no sentido longitudinal, como também a linha férrea no limite do perímetro urbano. A sua consolidação como pólo industrial se faz com a implantação da Indústria Montadora de veículos Mercedez-Benz no Distrito Industrial II.

No Bairro Barreira do Triunfo são observadas a descontinuidade de ocupação e a sua articulação com os demais bairros que é feita através da BR-040 e da Av. Juscelino Kubitschek, que possui características de rodovia.

A região possui baixa densidade demográfica, constando de um bairro (Barreira do Triunfo) e a UP 1A, com três núcleos: Paula Lima, Dias Tavares e Chapéu D’uvas com população total de 3.429 habitantes, sendo que o Bairro Barreira do Triunfo participa com 47,9% deste contingente.

Os núcleos Paula Lima e Chapéu D’uvas surgiram na mesma época com características semelhantes, ou seja, áreas rurais de grandes extensões produtivas de gado leiteiro, gado de corte e culturas, que posteriomente foram desmembradas e formaram-se os povoados de pequena expressão em torno da via férrea, porém os núcleos se estagnaram devido ao crescimento da cidade no extremo oposto a esta região.

Com exceção da Bacia do Córrego Olaria, onde predominam maciços imprópios à ocupação, a região apresenta em sua maior parte, relevo favorá vel, com maciços de baixa altitude e pequenas declividades, com destaque para as áreas de várzeas.

Atividades Econômicas

Apesar da presença de indústrias de grande porte como a Mercedez-Benz, Belgo Mineira, Dental Duflex e White Martins, a atividade econômica não é expressiva para a região, uma vez que estas indústrias exigem mão-de-obra especializada.

Em Barreira do Triunfo existem, além do comércio local, clubes de recreação, lazer e restaurantes, indústrias de pequeno porte e serviços. Na unidade de Planejamento 1A, que engloba Paula Lima e Dias Tavares, observa-se apenas um pequeno comércio local e atividade agropecuária não intensiva, sendo que em Chapéu D`uvas existe uma fazenda com criação de gado de corte.

Em Dias Tavares está instalado o Porto Seco de Juiz de Fora, onde são comercializados produtos de importação e exportação, sendo a empresa responsável pela administração a Multi-Terminais. A instalação deste Porto Seco na região é importante para a confirmação da vocação industrial e a proximidade com a BR-040 e a linha férrea que facilitam o escoamento dos produtos comercializados.

A população desta região, no entanto, busca emprego no centro comercial de Juiz de Fora, se deslocando diariamente cerca de 30Km de distância.

Infra-Estrutura

A infra-estrutura na região é bem precária, com índices de saneamento baixíssimos em alguns bairros e índices médios no bairro Barreira do Triunfo.

Apesar de estar localizado próximo aos mananciais de água, não existe, até o momento, viabilidade econômica para a extensão deste serviço para o uso domiciliar. A região é abastecida através de soluções isoladas como poços profundos em Barreira do Triunfo, Paula Lima e Dias Tavares, e captação própia em Chapéu D`Uvas, onde não é feito otratamento de água, pois não é administrado pela CESAMA.

De uma maneira geral a região apresenta baixos índices de coleta de esgoto pela CESAMA, sendo que em Chapéu D`Uvas este índice é zero. E, à exceção de Barreira do Triunfo, o esgoto não coletado escoa a céu aberto.
Não há sistemas de drenagem pluvial na região, acarretando inundações nos pontos baixos, como no bairro Dias Tavares.

O fornecimento de energia elétrica atende à população instalada, porém, com a implantação de novas indústrias e o conseqüente crescimento populacional, haverá necessidade de ampliação.

A coleta de lixo é feita com baixa freqüência, uma vez por semana em Paula Lima e Chapéu D`Uvas e duas vezes po semana em Barreira do Triunfo e Dias Tavares, sendo que a população utiliza pouco estes serviços, lançando o lixo nas ruas, terrenos baldios e cursos d`água.

O sistema viário da região é precário, com ruas estreitas e sem pavimentação, agravando na época das chuvas.

O transporte coletivo na região não atende à população, pois além de contar com apenas com um veículo nos bairros Paula Lima e Chapéu D`Uvas, atende também aos bairros da região, pois são pontos extremos da linha.

Quanto ao serviço de telefonia, a região não é atendida, com exceção dos bairros Barreira do Triunfo e Dias Tavares devidoà sua proximidade aos centros industriais.

Uso e Ocupação do Solo

Apesar da distância ao Centro e das características rurais, a região está dentro da área urbana e tem uso residencial e industrial, sendo que os mesmos se desenvolvem em áreas bem definidas, com exceção do bairro Barreira do Triunfo, onde os usos são diversificados.

Esta região se destaca pelo grande número de clubes campestres para recreação da população da cidade, e verifica-se o crescimento do número de restaurantes que oferecem serviços e lazer.

A Barragem de Chapéu D’Úvas é hoje um ponto turístico na região, observando-se um interesse de crescimento no comércio e serviços locais.

A vocação do uso industrial da região se destaca pelo relevo favorável, como também pela proximidade à BR-040, o oleoduto e gasoduto que cortam a região e a proximidade aos grandes mananciais, facilitando assim a implantação de infra-estrutura.

O tipo de ocupação residencial da região é de habitações unifamiliares com população de baixa e média renda, com lotes pequenos nos núcleos dos bairros e granjas e sítios em seu entorno.

Condições Sociais

O rendimento dos chefes de família dos bairros Paula Lima e Chapéu D’uvas se dividem do seguinte modo: 90,07 e 79,725% recebem até dois salários mínimos, respectivamente, e acima de cinco salários mínimos estão 2,84 e 4,48%, respectivamente. No Bairro Barreira do Triunfo o rendimento médio é de 1,69 salários mínimos, sendo que 56,96% recebem até dois salários mínimos e 12,34% acima de cinco salários mínimos, respectivamente.

Apenas no Bairro Barreira do Triunfo existe uma área de ocupação subnormal, denominada Volta Grande (loteamento da EMCASA), onde não há qualquer tipo de saneamento básico e infra-estrutura.

Com exceção do Bairro Barreira do Triunfo que conta com um posto de saúde com melhor atendimento, a população precisa se deslocar para Benfica ou para o centro de Juiz de Fora a procura de atendimento básico. Cada bairro da região conta com um posto de saúde com atendimento considerado precário pela população, contando com um clínico 3 vezes por semana e um pediatra e ginecologista 2 vezes ao mês e com número de consultas limitadas.

A região conta com 4 escolas Municipais, sendo que todas têm o ensino fundamental completo, com exceção de Chapéu D’uvas que tem apenas de 1ª a 4ª séries.

Apesar dos clubes de recreação instalados na região, aos quais a maioria da população não tem acesso, existe carência de áreas de lazer, sendo que no Bairro Chapéu D’uvas e Paula Lima existe um campo de futebol e uma quadra. Dias Tavares conta apenas com dois campos e Barreira com uma praça e campos de futebol de várzea.

Condições Ambientais

Apesar da distância ao Centro e o baixo índice de urbanização, a área não possui uma cobertura vegetal significativa, pois como toda região de Juiz de Fora, houve no passado o desmatamento para a criação de gado de corte e lavoura de café, deixando a região carente de matas. Por exemplo o Bairro Barreira do Triunfo tem apenas 6% de sua área com cobertura vegetal. Existe na Fazenda da Mendes Júnior (Belgo Mineira) a plantação de eucalipto que melhora um pouco a paisagem da região.

Levando em conta sua população, apresenta um índice de áreas verdes de 250m2/hab.., sendo que a OMS estabelece que para uma boa qualidade de vida o ideal é 12m2/hab.., porém não podemos considerar este índice como ideal para a região devido à baixa densidade demográfica.

Outro fator que agrava a qualidade ambiental da região é o lançamento dos esgotos in natura e os resíduos sólidos nos cursos D’água, como também os deslizamentos de terra. O movimento de terra é um fator agravante no Bairro Barreira do Triunfo, na estrada para o Náutico e na estrada que liga a BR-040 a Dias Tavares.

Como na região existem algumas indústrias de porte implantadas e a intenção de novos investimentos, deve-se ter um cuidado maior com o meio ambiente. Principalmente por se tratar de uma área situada no extremo norte do Rio Paraibuna e com ventos predominantes de norte para sul.

Conclusões

A região é favorável ao crescimento urbano e sua vocação industrial está se consolidando com a instalação da Mendes-Júnior (Belgo Mineira) e mais recentemente com a implantação da Mercedez-Benz e o Porto Seco. Apesar de possibilidades físicas de crescimento populacional, a deficiência de serviços públicos como saúde, educação, saneamento básico, transporte, energia elétrica e comunicação, torna problemático o adensamento da área. Com a tendência do crescimento da ocupação na área, principalmente no setor industrial, é necessário uma atençãoespecial na preservação das metas existentes e, ainda, a definição de áreas de reflorestamento e recomposição de matas ciliares.


3.3.2 Região de Planejamento (RP) Represa


Estruturação Espacial

Correspondendo a um grande vazio urbano (Mapa 05), a RP Represa é atípica pelo baixíssimo índice de adensamento (0,09 hab./ha bruto e 1,26 líqüido), e por possuir a maior área dentre todas as RPs do Perímetro Urbano e a menor população, equivalente a 990 habitantes. Isto se deve ao fato de que o Bairro Represa é praticamente constituído pela área de manancial de abastecimento d’água da Represa João Penido e o Bairro Remonta tem a maior parte de sua área pertencente ao Ministério do Exército.

A região da bacia hidrográfica da Represa Dr. João Penido está sujeita à legislação específica de proteção de mananciais e, portanto, não são incentivadas ocupações em seus limites, para que, no futuro, não haja pressão e/ou ocupação irregular dentro da área preservada.

Limitada ao norte pela bacia da Represa Dr. João Penido, e ao sul pela Mata do Krambeck, o Bairro Remonta é uma área estratégica para expansão urbana, o que depende, no entanto, de uma operação conjunta com o Exército Brasileiro.

Atividades Econômicas

A RP Represa tem pouca representação em termos de atividades econômicas, pois os dados do DRRF/JF registram que entre os 10 estabelecimentos econômicos destaca-se, apenas, a IMBEL - Indústria de Material Bélico do Brasil.

A economia informal e de subsistência provém de atividades hortigranjeiras, criação de bovinos, suínos e outros animais, predominantes no Bairro Represa.

Infra-Estrutura

Embora contenha o manancial da Represa Dr. João Penido, o Bairro Represa não conta com rede de água; as famílias desta região utilizam água de poços, inclusive artesianos. Já o Bairro Remonta conta com 51% de água proveniente do manancial, e boa parte de sua população utiliza poços caseiros. A total falta de rede de esgoto no Bairro Represa contrasta com os 50% atendidos no Bairro Remonta. Porém, aproximadamente, 40% dos usuários, nos dois casos, utilizam métodos rudimentares para destino final dos dejetos.

No Bairro Represa, pela falta do serviço de coleta, muitas vezes o lixo é depositado nas ruas ou lançado nos córregos. No Bairro Remonta a coleta atinge 38,5% das moradias, e parte do restante, também é depositado indevidamente.

A instalação de energia elétrica da RP atende a 44,6% do uso residencial, 9,8% do comercial/ serviço e aproximadamente 45,6% do industrial.

Os acessos às moradias são precários no Bairro Represa, que tem somente 11% de pavimentação asfáltica e pouca iluminação. As ruas são estreitas e têm muitos obstáculos, como valetas e matacões. No Bairro Remonta as vias de itinerário dos ônibus e as do condomínio Jardim L’Ermitage contam com pavimento asfáltico e têm largura suficiente para o pequeno movimento local de veículos. As linhas de ônibus que fazem os itinerários da RP oferecem poucos horários para a população.

Uso e Ocupação do Solo

O Bairro Represa tem características rurais, sendo formada, em sua maioria, por granjas, sítios e fazendas, apresentando uma economia informal e de subsistência. Uma peculiaridade é dada pelo número de clubes recreativos, dois dos quais situam-se às margens da represa João Penio, com atividades muitas vezes incompatíveis com as funções do manancial.

A ocupação do Bairro Remonta é diversificada, tendo áreas de granjeamento, habitações irregulares, lotes de pequenas dimensões unifamiliares e vilas militares. A área de propriedade do Exército Brasileiro conta com um clube recreativo (ASE - Associação dos Sargentos do Exército) e comércio local pouco significativo, da mesma forma que o Bairro Represa.

Condições Sociais

Há loteamentos irregulares no Bairro Represa, como os casos da Vila São Cristóvão, à beira de um córrego, ocupado por 15 famílias, e da “Aldeia”, ambas carentes de infra-estrutura e com população de baixa renda. As famílias que residem neste bairro têm renda média de 1,26 salários mínimos, valor abaixo da renda média encontrada no Bairro Remonta, que é de 2,59 salários mínimos. Esta diferença é dada pela alta renda dos moradores de um condomínio, mas ainda assim predomina, na RP, uma população de baixa renda.

A maioria dos seus moradores não têm condições sociais e financeiras de se associarem aos clubes existentes, e como área pública para lazer há um campo de futebol de várzea em cada um dos bairros, que são desprovidos de praças e parques.

Cada um dos bairros conta com uma escola de 1ª a 4ª série, mas o índice de analfabetismo é muito elevado. Vale mencionar a presença da Escola Militar que, por ter regime próprio para o atendimento educacional, não privilegia população local.

Não existe posto de saúde na RP Represa, o que provoca o deslocamento dos moradores para o Centro ou outras regiões, que encontram dificuldade de transporte devido à escassez de ônibus.

Condições Ambientais

A grande questão ambiental desta RP é a manutenção de uma adequada proteção à bacia hidrográfica da Represa. As ocupações às suas margens e à beira de córregos e várzeas devem ser monitoradas, para impedir o lançamento direto do esgoto, assim como do lixo domiciliar. A crescente ocupação em curso, mesmo em caráter de granjeamento, necessita de disciplinamento para utilização das técnicas corretas de esgotamento sanitário (fossas sépticas com filtro biológico). Recomenda-se a implantação de edificações fora das várzeas, ou seja, na parte mais alta dos lotes, para que se evite a contaminação do manancial. O mesmo monitoramento deve ser estendido aos clubes e associações recreativas ali instaladas.
Embora constitua uma RP de características rurais, a notória ausência de áreas florestadas é agravada pelo desmatamento nas proximidades da Represa, que futuramente, comprometerá a perenização das nascentes. As áreas das matas correspondem, hoje, a 10,7% do Bairro Represa e a 14,8% do Bairro Remonta. Outro fator preocupante é a contaminação dos recursos hídricos por agrotóxicos, devido à presença de culturas diversas e por coliformes fecais, face à criação extensiva de animais.

Conclusões

Para uma equilibrada conclusão das condições de infra-estrutura, saneamento e serviços, é preciso relativizar a oferta com o contigente populacional. Os baixos índices de investimentos públicos na RP, justificam-se pelo seu baixíssimo adensamento e, por isso, as melhorias reivindicadas muitas vezes são preteridas quando da hierarquização das carências do Município.
A constatação da inconveniência de um maior adensamento no Bairro Represa, sugere a conservação da ocupação do tipo granjeamento, que proporcionará a manutenção da qualidade ambiental do manancial e não exigirá investimentos públicos substanciais.
O Bairro Remonta, com grande extensão pertencente ao Exército, representa uma barreira institucional ao desenvolvimento urbano, já que não só tem condições de oferecer alternativa viária à quase congestionada MG-353, na RP Grama, como também de converter-se em vetor de expansão urbana integrado ao restante da cidade, desde que condicionado à preservação da Represa e seu entorno.

 

____________________________
2 Fonseca Netto, Henrique. 1994, págs. 15 e 16.
3 A nomenclatura usada é a divulgada pela American Association of Architects a partir dos trabalhos de Spreirfegen (1973)
4 SPREIRFEGEN, Paul. (1973)
5 ibid.
6 GIBBS, Jack P. (1967)
7 Deve ser dito também que, além de mantê-las, será importante estabelecer corredores silvestres de ligação entre as mesmas, para permitir à fauna local aproveitar melhor a potencialidade ecológica representada por esses remanescentes de Mata Atlântica.
8 DAVIS, Kingsley. (1972)

CONTINUA