Convite para funeral de Dom Pedro II está no acervo do Museu Mariano Procópio
O projeto “A Peça da Semana” apresenta na edição desta segunda-feira, 12, o convite para as exéquias (cerimônia funeral) de D. Pedro II. Conforme a historiadora da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), Priscila da Costa Pinheiro, o documento faz parte da Coleção Família Imperial, que está sob a guarda do Arquivo Histórico do equipamento cultural. O convite, escrito em francês, possui as armas imperiais e uma margem preta, em referência ao luto. Os convites foram impressos em diferentes cores, que indicavam o lugar do convidado na igreja, e são considerados raros, visto que poucos exemplares foram conservados. Três deles podem ser conferidos no Instagram @museumarianoprocopio e no Facebook da instituição.
Priscila conta que, com a instauração da república no Brasil, no dia 15 de novembro de 1889, o governo de D. Pedro II, que teve início em 1840, chegou ao fim, e a família imperial foi exilada na Europa. Banido do território brasileiro, D. Pedro faleceu no Hotel Bedford, em Paris, no dia 5 de dezembro de 1891. “Apesar do silêncio do regime republicano, a morte do ex-imperador teve grande repercussão no Brasil e no mundo. A França, símbolo da República, homenageou o ex-imperador. D. Pedro recebeu o tratamento e as honras de um chefe de Estado: foi vestido, velado e enterrado como imperador brasileiro. Adornado com os símbolos pátrios, foi consagrado na morte”, conta a historiadora.
Ela informa que as exéquias de D. Pedro II aconteceram na Igreja de Madeleine, em Paris, no dia 9 de dezembro de 1891. Impresso pela Maison Henri de Borniol, casa funerária ativa ainda hoje, o convite apresenta D. Pedro como “Sua Majestade O Imperador do Brasil”. No canto inferior esquerdo consta a informação por onde os convidados deveriam entrar para tomar seus lugares. No canto inferior direito, o nome do conde de Aljezur, camareiro da Corte Imperial.
A historiadora revela ainda que os despojos mortais dos ex-imperadores D. Pedro II e D. Teresa Cristina permaneceram no jazigo da família Bragança, em Portugal, até 1921, quando foram transladados para o Brasil, no contexto das comemorações do centenário da independência. Em 1939, com a presença do presidente Getúlio Vargas, foram transferidos para o mausoléu da Catedral São Pedro de Alcântara, localizada em Petrópolis.