E.M. Cosette de Alencar apresenta recursos de aprendizagem para alunos com deficiência visual no Independência Shopping
Apresentando o trabalho e os recursos voltados para o ensino de alunos com deficiência visual, a Escola Municipal Cosette de Alencar, localizada no Bairro Santa Catarina, deu uma aula de inclusão social, sendo destaque no evento em comemoração ao Dia Nacional e Municipal da Luta da Pessoa com Deficiência, realizado no Independência Shopping. O stand da instituição contou com a presença de professores, direção, alunos e visitantes, além da Supervisão de Atenção à Educação na Diversidade (Saedi) da Secretaria de Educação (SE). A exposição aconteceu durante todo o sábado, 21.
Por meio do lema "Na diversidade é que construímos a igualdade", a escola exibiu quadros feitos em alto-relevo, confeccionados pelos alunos, com base nas obras dos artistas Tarsila do Amaral e Alfredo Volpi, além de livros escritos em braile, globo tátil, pasta geométrica – com materiais escolares em alto-relevo, reglete (máquina de escrever em braile), soroban e quadro "Mônicalisa", adaptado pelo cartunista Maurício de Sousa, inspirada na obra “Mona Lisa”, do artista Leonardo Da Vinci. O quadro, uma das grandes atrações, foi produzido com materiais como corda e grãos, para facilitar a "leitura" de visitantes cegos.
A diretora da insituição, Áurea de Souza da Silva, afirma que a cidade precisa conhecer o talento dos estudantes. "Temos vários alunos com deficiência e precisamos mostrar o que as crianças aprendem. Eu acho que é muito bom a sociedade juiz-forana saber que existem escolas que conseguem atender esses alunos", informa.
O professor Fludualdo Tales de Paula, que coordena o projeto "Informática para todos" e que possui deficiência visual, explica um dos trabalhos desenvolvidos por ele na escola: "O projeto de informática visa a ensinar o aluno com baixa audição ou cegueira total a usar o computador. A possibildidade de o cego utilizar o computador é uma porta aberta ao mundo. Eles podem se informar e se comunicar com outras pessoas. Isso é muito importante". Ele ainda comenta que não se deve tratar o deficiente como especial e que seu potencial é igual ao das outras pessoas. "A escola, desde 1976, trabalha a questão da inclusão. Atualmente, os alunos estão todos incluídos nas salas ´normais`, não existem espaços diferenciados. É preciso desconstruir o preconceito que existe há décadas acerca da pessoa com deficiência. Primeiro você vê a pessoa, depois a deficiência".
A instituição de ensino montou, também, um túnel, onde os visitantes tiveram os olhos vendados e, com o auxílio de uma bengala e dos alunos presentes, andavam em meio aos obstáculos deixados no caminho e adivinhavam objetos que eram colocados em suas mãos. O objetivo era fornecer a dimensão da situação em que o cego se encontra e como ele precisa de ajuda. "Depois de virem o que apresentamos, as pessoas vão ajudar mais os deficientes visuais e respeitá-los", opina o estudante Thales Renato Silva Laudelino.
O professor de geografia, José Maria Simões, contou sobre o seu trabalho na escola e como isso ajuda no aprendizado dos estudantes. "Hoje eu trabalho mais com a geografia e a cartografia tátil, atendo alunos com deficiência visual e fazemos os mapas juntos. Realmente funciona, porque o aluno cego tem a oportunidade de compreender aquela informação". Ele ainda descreve a opinião das pessoas que visitaram o estande. "Registramos depoimentos de algumas pessoas que questionaram sobre a condição do cego e as dificuldades enfrentadas, tendo a noção de que não podem reclamar da vida. É importante que os visitantes desta mostra saiam daqui com esta consciência", completa o professor.
*Informações com a Assessoria de Comunicação da SE, pelo telefone 3690-8497.