Sabe o transporte por aplicativo, como Uber ou 99, aquele que você solicita pelo celular? Nesse tipo de serviço, o valor da viagem não muda de acordo com o número de passageiros. Se você vai do Centro para Benfica, sozinho ou acompanhado, o preço será o mesmo.
Isso acontece porque o cálculo é feito com base no trajeto percorrido pelo veículo, do ponto de partida ao ponto de chegada. A distância é o principal fator que define o valor, pois é justamente o que mais impacta nos custos da viagem, por exemplo, no consumo de combustível e no desgaste de peças, como pneus e freios.
No transporte coletivo, a lógica pode ser semelhante.
Por que, então, calcular o custo do sistema com base no número de passageiros transportados, se o que realmente determina o preço de uma viagem é a distância percorrida pelos veículos?
Esta é uma lógica defendida por diversos especialistas em mobilidade urbana, já adotada em diferentes municípios. E agora será adotada por Juiz de Fora, trazendo mais eficiência e, sobretudo, economia na hora de apurar quanto irá custar o funcionamento do transporte público na cidade.
Com o novo edital, a Prefeitura vai organizar antecipadamente como os ônibus vão circular. Já estará tudo definido: por onde eles passam, que tipo de ônibus vai ser usado, e quantas viagens vão ser feitas por dia, semana e mês. Assim, o custo do sistema vai depender de quantas vezes os ônibus circulam e da distância que percorrem, parecido com o que acontece nos aplicativos de transporte.
O modelo traz três vantagens principais:
Há trinta anos, Juiz de Fora era bem diferente. De lá para cá, a cidade ganhou quase 130 mil novos habitantes, ampliou seu perímetro urbano, e viu surgirem novos bairros, enquanto outros cresceram e receberam mais moradores.
Apesar de tudo isso, o sistema de transporte público praticamente não mudou. Em pleno 2025, a organização das linhas segue como em 1995: quase a totalidade dos ônibus passa pelo Centro. Isso é ineficiente, contrariando as principais regras para a organização do trânsito de uma cidade. Resultado? Formação de congestionamentos e aumento do tempo de viagem, prejudicando a mobilidade de todo mundo.
Por que mudar?
Porque o atual modelo de Juiz de Fora produz uma sobrecarga de ônibus no Centro da cidade nos horários de maior movimentação. É um efeito cascata: um veículo atrasa o outro, fazendo com que o tempo de viagem aumente muito. Isso resulta em frustração e insatisfação.
A Prefeitura de Juiz de Fora sabe, também, que toda mudança traz dúvidas e insegurança. Mas a gente não pode ter medo de mudar para melhor, principalmente para corrigir problemas históricos.
O desafio do novo modelo é ter menos ônibus no centro e, mesmo assim, reduzir o tempo de viagem. Sim, com organização e planejamento, isso é possível. Veja só como vai funcionar.
O novo modelo de transporte em Juiz de Fora
Para tudo funcionar, o novo sistema irá adotar quatro diferentes tipos de linhas. Vamos a elas:
Integração entre as linhas expressas e linhas-bairro: explicando melhor
Toda essa operação está planejada para funcionar como um relógio suíço:
Bora para um exemplo concreto?
Como funcionará na prática?
Suponha que você esteja no Centro e precise ir ao bairro Santa Efigênia. Basta embarcar em um ônibus da linha expressa Santa Luzia e descer no ponto de integração indicado. Lá, você seguirá viagem em um ônibus da linha-bairro de Santa Efigênia.
No sentido contrário, a lógica é a mesma: você embarca na linha do seu bairro, segue até o ponto de integração e, de lá, utiliza a linha expressa até o Centro.
Mas vai funcionar mesmo?
Vai sim. Junto ao edital, a Prefeitura apresenta o modelo de funcionamento do sistema, com todas as linhas expressas e linhas-bairro. Os especialistas contratados já testaram (repetidas vezes) a circulação dos ônibus em simulações de computador. A previsão está confirmada: os ônibus circulam em maior velocidade, diminuindo o tempo de deslocamento entre o ponto de embarque final e o ponto de desembarque final, mesmo considerando o intervalo no ponto de integração.
O novo modelo de concessão do transporte coletivo traz um avanço importante: a qualidade do serviço prestado passa a ser medida de forma mais justa e objetiva. A empresa contratada terá metas a cumprir, e a principal delas é realizar os trajetos determinados dentro do tempo previsto.
Mas sempre dá pra fazer mais. Nós vivemos tempos em que a tecnologia avança rapidamente. Isso significa mais qualidade e eficiência à nossa disposição.
Por isso, o novo edital do transporte público de Juiz de Fora quer incentivar que a empresa ou consórcio vencedor da disputa tenha motivos para sempre melhorar a qualidade do serviço prestado. Ele deve ainda fazer isso da forma mais econômica possível, tornando os gastos mais eficientes.
A proposta é monitorar continuamente diversos indicadores de qualidade e de custo. Quando uma mudança for aplicada, garantindo maior eficiência e economia, a empresa ou concessionária será recompensada.
Vale destacar que o contrário também é válido. Quando a empresa ou concessionária deixar de cumprir o que dela é exigido, haverá multa, justa e proporcional ao que foi descumprido. O objetivo é evitar prejuízos ao povo da cidade e incentivar a melhoria contínua.