PERGUNTAS FREQUENTES (FAQ)

Como será calculado o custo do sistema de transporte?

Sabe o transporte por aplicativo, como Uber ou 99, aquele que você solicita pelo celular? Nesse tipo de serviço, o valor da viagem não muda de acordo com o número de passageiros. Se você vai do Centro para Benfica, sozinho ou acompanhado, o preço será o mesmo.

Isso acontece porque o cálculo é feito com base no trajeto percorrido pelo veículo, do ponto de partida ao ponto de chegada. A distância é o principal fator que define o valor, pois é justamente o que mais impacta nos custos da viagem, por exemplo, no consumo de combustível e no desgaste de peças, como pneus e freios.

No transporte coletivo, a lógica pode ser semelhante.

Por que, então, calcular o custo do sistema com base no número de passageiros transportados, se o que realmente determina o preço de uma viagem é a distância percorrida pelos veículos?

Esta é uma lógica defendida por diversos especialistas em mobilidade urbana, já adotada em diferentes municípios. E agora será adotada por Juiz de Fora, trazendo mais eficiência e, sobretudo, economia na hora de apurar quanto irá custar o funcionamento do transporte público na cidade.

Com o novo edital, a Prefeitura vai organizar antecipadamente como os ônibus vão circular. Já estará tudo definido: por onde eles passam, que tipo de ônibus vai ser usado, e quantas viagens vão ser feitas por dia, semana e mês. Assim, o custo do sistema vai depender de quantas vezes os ônibus circulam e da distância que percorrem, parecido com o que acontece nos aplicativos de transporte.

O modelo traz três vantagens principais:

  • Mais economia: o valor pago será proporcional ao serviço efetivamente prestado, garantindo mais justiça no cálculo. Isso significa um custo reduzido para a Prefeitura e para o povo de Juiz de Fora.

  • Mais eficiência: o planejamento prévio permite ajustar a oferta de viagens às necessidades reais da população.

  • Mais flexibilidade: a Prefeitura poderá alterar trajetos, horários e frequências sempre que necessário, para melhorar a operação e atender melhor aos usuários.

Como irão funcionar as linhas dos ônibus?

Há trinta anos, Juiz de Fora era bem diferente. De lá para cá, a cidade ganhou quase 130 mil novos habitantes, ampliou seu perímetro urbano, e viu surgirem novos bairros, enquanto outros cresceram e receberam mais moradores.

Apesar de tudo isso, o sistema de transporte público praticamente não mudou. Em pleno 2025, a organização das linhas segue como em 1995: quase a totalidade dos ônibus passa pelo Centro. Isso é ineficiente, contrariando as principais regras para a organização do trânsito de uma cidade. Resultado? Formação de congestionamentos e aumento do tempo de viagem, prejudicando a mobilidade de todo mundo.

Por que mudar?

Porque o atual modelo de Juiz de Fora produz uma sobrecarga de ônibus no Centro da cidade nos horários de maior movimentação. É um efeito cascata: um veículo atrasa o outro, fazendo com que o tempo de viagem aumente muito. Isso resulta em frustração e insatisfação.

A Prefeitura de Juiz de Fora sabe, também, que toda mudança traz dúvidas e insegurança. Mas a gente não pode ter medo de mudar para melhor, principalmente para corrigir problemas históricos.

O desafio do novo modelo é ter menos ônibus no centro e, mesmo assim, reduzir o tempo de viagem. Sim, com organização e planejamento, isso é possível. Veja só como vai funcionar.

O novo modelo de transporte em Juiz de Fora
Para tudo funcionar, o novo sistema irá adotar quatro diferentes tipos de linhas. Vamos a elas:

  1. Linhas expressas: têm como objetivo transportar um maior número de passageiros, de modo mais ágil, a partir de rotas mais eficientes, recobrindo toda a cidade. Elas operam apenas nos grandes corredores viários da cidade, partindo do centro e se dirigindo aos bairros (e vice-versa). O desembarque dos usuários será feito exclusivamente nos novos pontos de integração.

  2. Linhas-bairro: operam a partir dos pontos de integração, de onde partem com destino ao interior dos bairros, percorrendo a ampla maioria das ruas. Essas linhas contam com um maior número de veículos, de modo a passar mais vezes pelos pontos de ônibus, garantindo agilidade enquanto se evita que o tempo de espera ali seja longo.

    Destaque: essas rotas, que unem linhas expressas e linhas-bairro, irão atuar de modo prioritário nos destinos localizados a uma média ou longa distância do centro. Trata-se de uma forma de garantir maior eficiência ao sistema. Os pontos de integração serão amplamente divulgados, bem como preparados para permitir um adequado acolhimento aos usuários do transporte público da cidade.

  3. Linhas centro-bairro: são destinadas aos bairros mais próximos ao centro da cidade, para os quais o uso das linhas expressas traz vantagens em termos de tempo e eficiência. Na prática, vão operar de modo semelhante ao atual, com viagens partindo do centro, passando pelas principais vias do bairro, para em seguida retornar ao centro.

  4. Linhas rurais: farão o trajeto do centro às comunidades rurais, operando com o tradicional modelo de parada em pontos de embarque, mas permitindo o desembarque apenas no destino final. Trata-se de uma proposta recentemente testada e com rigoroso sucesso. Esse mecanismo garante maior eficiência, encurtando o tempo de viagem, além de priorizar o transporte das pessoas que vivem nesses bairros.

Integração entre as linhas expressas e linhas-bairro: explicando melhor

Toda essa operação está planejada para funcionar como um relógio suíço:

  • Os ônibus das linhas expressas levando o grande público para os pontos de integração.

  • As linhas-bairro passando com frequência para levar as pessoas desses pontos até próximo de suas casas.

  • Evidentemente, o mesmo vale no sentido contrário, do bairro para o Centro da cidade.

Bora para um exemplo concreto?

Como funcionará na prática?

Suponha que você esteja no Centro e precise ir ao bairro Santa Efigênia. Basta embarcar em um ônibus da linha expressa Santa Luzia e descer no ponto de integração indicado. Lá, você seguirá viagem em um ônibus da linha-bairro de Santa Efigênia.

No sentido contrário, a lógica é a mesma: você embarca na linha do seu bairro, segue até o ponto de integração e, de lá, utiliza a linha expressa até o Centro.

Mas vai funcionar mesmo?

Vai sim. Junto ao edital, a Prefeitura apresenta o modelo de funcionamento do sistema, com todas as linhas expressas e linhas-bairro. Os especialistas contratados já testaram (repetidas vezes) a circulação dos ônibus em simulações de computador. A previsão está confirmada: os ônibus circulam em maior velocidade, diminuindo o tempo de deslocamento entre o ponto de embarque final e o ponto de desembarque final, mesmo considerando o intervalo no ponto de integração.

Como garantir que o sistema siga melhorando?

O novo modelo de concessão do transporte coletivo traz um avanço importante: a qualidade do serviço prestado passa a ser medida de forma mais justa e objetiva. A empresa contratada terá metas a cumprir, e a principal delas é realizar os trajetos determinados dentro do tempo previsto.

Mas sempre dá pra fazer mais. Nós vivemos tempos em que a tecnologia avança rapidamente. Isso significa mais qualidade e eficiência à nossa disposição.

Por isso, o novo edital do transporte público de Juiz de Fora quer incentivar que a empresa ou consórcio vencedor da disputa tenha motivos para sempre melhorar a qualidade do serviço prestado. Ele deve ainda fazer isso da forma mais econômica possível, tornando os gastos mais eficientes.

A proposta é monitorar continuamente diversos indicadores de qualidade e de custo. Quando uma mudança for aplicada, garantindo maior eficiência e economia, a empresa ou concessionária será recompensada.

Vale destacar que o contrário também é válido. Quando a empresa ou concessionária deixar de cumprir o que dela é exigido, haverá multa, justa e proporcional ao que foi descumprido. O objetivo é evitar prejuízos ao povo da cidade e incentivar a melhoria contínua.

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