HISTÓRICO DE BENS TOMBADOS

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:: MEMÓRIA COLETIVA ::

Príncipe Hotel

O imóvel é do início do séculos XX, possuindo dois níveis estando o pavimento inferior bastante descaracterizado.

Anteriormente era chamado de Hotel Avenida e hoje a sobreloja ainda funciona sob o nome de Hotel Príncipe e a parte inferior como uma série de lojas.

O Príncipe Hotel, construído na década de 20, não recebeu tantas personalidades como o Grande Hotel Renascença. Talvez, exatamente por isso, ele tenha uma importância equivalente. Sem o clamour, do hotel mais antigo da Praça da Estação, ele com certeza era a alternativa para milhares de pessoas que desembarcava na Estação. Cumpria, portanto, seu papel entre os prédios que se localizavam na Praça: abrigava os estrangeiros e viajantes que que encontravam no fervilhante comércio e nas proximidades das fábricas que se instalavam nas áreas vizinhas à Praça Antônio Carlos o desenvolvimento e os ares de modernidade ausentes no interior. Exatamente por isso, foi denominado Hotel Central por seu primeiro proprietário o Sr. José Gomes Fraga e, posteriormente, Hotel Avenida. Trouxe em suas linhas arquitetônicas o ecletismo do projeto feito pelo arquiteto Rafael Arcuri, sendo construído pela Pantaleone Arcuri e Spinelli.

A edificação é implantada em lote de esquina no alinhamento da rua e constituído de dois pavimentos. No primeiro andar, encontramos alvenaria com representação de cantaria e portas de aço para uso comercial. O pavimento superior apresenta uma composição de vãos com destaque maior no chanfro pela colocação de elementos: balcão, zimbório e frontão vazado.

A fachada da Praça, assim como a da rua Halfeld, é dividida em painéis enfatizados por pilares ornamentados com elementos pendentes. As janelas centrais são rasgadas e recebem um balcão de ferro enquanto as demais apresentam ornatos na parte inferior, que simbolizam balcões entalados. Estas são bipartidas, de madeira e com bandeiras simples.

A preocupação com uma ornamentação mais rica fica no coroamento formado por uma platibanda vazada por elementos circulares, marcada por pequenos frontões em cima das janelas que possuem balcões, que são sinuosamente recortadas ou arqueadas. Estes frontões contêm apliques florais e combinam pares de pedestais em pináculos e modilhões.

O chanfro recebe um balcão de ferro, uma janela rasgada e ornamentada e um frontão vazado com volutas e apliques assim como um alto zimbório, que arremata a cobertura.
Trata-se de uma edificação tipicamente eclética da fase mais rebuscada que sempre exerceu a função de hotel e apresenta as características originais inalteradas.